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6 de Junho de 2007 - 18h54 -
Última modificação
em 6 de Junho de 2007 - 19h07
Meia dúzia de famílias não vão atrapalhar milhões, diz governador de Rondônia sobre usinas
Sabrina Craide e Eliane Gonçalves
Repórteres da Radiobrás
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Wilson Dias/ABr
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Porto Velho (RO) - O governador de Rondônia, Ivo Cassol, fala à Radiobrás sobre as usinas projetadas para o Rio Madeira
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Brasília - O potencial do Rio
Madeira para geração de energia é parte de uma
riqueza que não está sendo aproveitada, avalia o
governador de Rondônia, Ivo Cassol. Em entrevista à
Radiobrás, ele diz que a construção das
usinas de Jirau e Santo Antônio vai gerar 30 mil empregos
diretos e 100 mil indiretos, e que o estado receberá “de
braços abertos” as pessoas que chegarem com a migração
prevista. Também defende que o interesse nacional da obra se
sobrepõe ao das comunidades que terão de ser
deslocadas: “Se tiver meia dúzia de famílias, isso
não vai atrapalhar milhões de pessoas que precisam
dessa energia”.
Agência
Brasil: Quais são os pontos positivos da construção
das usinas em Rondônia? Ivo Cassol: O
grande ponto positivo é nos aproveitarmos a riqueza que o
estado tem e não está sendo aproveitada. Esse projeto é
diferente de Itaipu, das usinas com alagamentos, com impacto
ambiental muito grande. Simplesmente, nós temos a cheia e
permanecendo cheia, com isso aproveitando o fluxo normal. Da água
do Rio Madeira para gerar energia não só para Rondônia,
mas para o Brasil inteiro. Ou o Brasil constrói novas
hidrelétricas ou arruma um outro sistema que possa gerar
energia, ou vai ficar no escuro. Para Rondônia é ótimo,
porque nós vamos ter 30 mil empregos diretos, mais de 100 mil
indiretos, dar essa expectativa de uma condição de vida
melhor para o povo.
ABr: O estado está
preparado para o fluxo migratório que pode acontecer? Cassol:
Se nós formos ver pelo lado
negativo, “porque tem malária”, “porque tem isso”...
Nós já temos a questão da malária, ainda
não foi descoberta uma vacina que evite a propagação.
O que nós temos que fazer é continuar combatendo. Da
mesma maneira, se nós vermos o problema social. Já está
faltando água aqui em Porto Velho, faltando esgoto, o que
falta para nós é recurso. Os organismos internacionais
e o próprio governo federal nos cobram muito, nos prometem
bastante e não nos dão nada. Então, nós
temos que aproveitar essa potencialidade que o estado tem, mesmo que
tenha uma migração um pouco maior, não acredito
que vai ser tão grande. Mesmo vindo mais cidadãos
brasileiros para Rondônia, nós vamos receber de braços
abertos e estaremos preparados para isso.
ABr:
O que o estado vai fazer para evitar a proliferação da
malária? Cassol:
Aumenta o número da malária
quando você tem a cheia e depois tem a seca, quando prolifera o
mosquito. Com a cheia normal, natural, simplesmente a água vai
estar naquele patamar o tempo inteiro. Porque, nas usinas do Madeira,
o fluxo é normal. Não é uma barragem para poder
fazer um armazenamento de água. Conforme a água entra,
ela sai. O resto é conversa fiada. O que nós precisamos
é o governo federal voltar a fazer o dever de casa, assumir a
Funasa [Fundação Nacional da Saúde], que
são os “malarientos”, como a gente dizia, o pessoal que
cuidava da malária, que hoje colocaram nas mãos do
município. Foi no governo passado, eu era prefeito e dizia que
não funcionava. Esses servidores federais que estão à
disposição dos municípios para combater a
malária, infelizmente a maioria dos municípios não
trabalha. Ou não tem carro, ou não tem estrutura, ou
não tem condições de fazer o trabalho.
ABr:
Como fazer com as pessoas que serão desabrigadas pelas
barragens? Cassol:
Pode ter certeza de que desabrigado não
tem. Não tem os das barragens não sei o que, isso é
pura fanfarra. Se tiver algum pode ter certeza de que dentro do
projeto já tem recurso alocado para ele se transferir com a
sua moradia, com o seu conforto no mínimo mil vezes melhor. Se
tiver meia dúzia de famílias, isso não vai
atrapalhar milhões de pessoas que precisam dessa energia. [O
estudo de impacto ambiental prevê que quatro comunidades serão
afetadas; para o Ibama, serão seis.] É o povo
brasileiro, o povo de Brasília, o povo do Rio, de São
Paulo, dos grandes centros, que precisa dessa energia. Energia limpa.
ABr:
Para alguns dos críticos do projeto, o problema maior é
a intenção de fazer uma hidrovia com o Madeira... Cassol:
O Rio Madeira é navegável,
tanto que a produção de soja do Mato grosso, a produção
de milho, mesmo carne, o produto que é feito na Zona Franca de
Manaus, geladeiras, televisões, sobe o rio até Porto
Velho e aqui acaba sendo distribuído para o Brasil inteiro.
Além disso, tem o Aeroporto Internacional de Manaus, que leva
para outros países. Nós temos a cachoeira, ela é
intransponível hoje, e com as eclusas o rio vai se tornar
navegável. Nós podemos sair daqui e ir até Vila
Bela, no Mato Grosso. Lógico para isso seria preciso construir
mais duas usinas para cima. Então as eclusas é
simplesmente você ir projetando o futuro. Senão, lá
na frente, você precisa depois o triplo do dinheiro para fazer.
Num projeto desses tem que deixar prevenido uma obra estruturante
para que a gente possa desenvolver as regiões sem ter medo de
devastação. O que nós temos que ter é
medidas rigorosas em locais proibidos, e em Rondônia nós
temos o zoneamento socioeconômico, que foi aprovado e diz o que
pode e o que não pode. E onde não pode, não
pode, acabou.
ABr:
Há fiscalização? Cassol:
Lógico. Nós acompanhamos
passo a passo. E as áreas que têm migração,
invasão, são áreas devolutas, da União,
onde quem devia estar atuando é a União. Das derrubadas
que acontecem no estado, 95% você pode ter certeza que é
nessas áreas.
ABr: Existem denúncias
de que o governo está usando a estrutura do estado para colher
assinaturas em favor das usinas. Isso procede, está
acontecendo? Cassol:
Eu quero que esses segmentos aí
expliquem para o povo de onde eles tiram dinheiro para ficar aqui em
Porto Velho. O que eu estou defendendo é a economia do estado
de Rondônia. O que a sociedade num todo está defendendo
são obras necessárias para o Brasil. Em cada local está
lá o abaixo-assinado que as pessoas podem assinar. E ninguém
é obrigado a assinar.
ABr:
E nas escolas, estão sendo colhidas assinaturas? Cassol:
Em todos os lugares estamos colhendo
assinaturas. E pegando opinião não só do
comércio, mas também dos nossos alunos. Todo mundo que
queira participar para dar o seu depoimento, pró ou contra,
nos ajuda. Mas, para nossa alegria, estamos aí com 99,9% das
pessoas favoráveis.
ABr: Mas o que se fala é
que as pessoas estão sendo coagidas, estão sendo
forçadas, que tem uma barganha para que elas assinem. Cassol:
Essa barganha que eles estão falando é igual
história de Papai Noel. Vou te dar outro exemplo. Nós
temos em Rondônia a maior jazida de diamante do mundo.
Praticamente paga a dívida externa. Eu denunciei, em 2003, com
documento assinado para o ministro da Justiça, para o
presidente Lula, que ia acontecer uma chacina lá dentro, falei
que estão levando embora o nosso diamante. Passaram-se quatro
anos, a exploração ilegal continua. Quem é
beneficiado com aquela riqueza? São bandidos, estão
financiando alguma coisa por esse mundo afora e não fica nada
para Rondônia, para o município e para o governo
federal. Toda vez tentaram me envolver como se eu fosse uma pessoa
beneficiada. Mas o único que teve coragem de denunciar a
extração foi o governador Ivo Cassol. Aí montam
um grupo de trabalho, mandam uma equipe para cá só para
ganhar diária e mordomia.
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