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7 de Junho de 2007 - 16h29 - Última modificação em 7 de Junho de 2007 - 16h53


Hidrelétricas em Rondônia exigirão empenho para controle da malária, diz ministério

Sabrina Craide
Repórter da Agência Brasil

 
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Wilson Dias/ABr
Porto Velho (RO) - Moradores da capital de Rondônia no Rio Madeira
Porto Velho (RO) - Moradores da capital de Rondônia no Rio Madeira
Brasília - Se houver um trabalho forte de prevenção no estado de Rondônia, é possível conter o avanço da malária previsto com a construção das usinas hidrelétricas no Rio Madeira, que estão em análise de viabilidade ambiental. Essa é a avaliação do coordenador geral do Programa Nacional de Controle da Malária, José Lázaro de Brito Ladislau. Segundo ele, o risco de expansão da doença na região das usinas é preocupante, mas o governo já estuda alternativas para controlar a situação.

“O Ministério da Saúde já formou um grupo de especialistas para fazer um estudo profundo da situação não só do numero de casos de malária, mas do potencial de receptividade da doença na região”, informa. Ele diz que o objetivo é que, ao invés de levar um aspecto negativo para a região, o empreendimento possibilite até a redução do número de casos da doença no estado.

De acordo com o coordenador, apesar da redução do número de casos verificada nos últimos anos, Rondônia é o segundo estado do país com maior registro de malária, ficando atrás apenas do Amazonas. Segundo ele, os casos verificados em Rondônia representam 20% do que é registrado em todo o país. Ano passado, foram constatados mais de 100 mil casos da doença no estado.

Ladislau explica que, desde 1999, a responsabilidade pelo trabalho de executar as ações de controle da Malária, anteriormente a cargo da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), cabe aos municípios, com apoio dos estados e recursos do governo federal. De acordo com informações da assessoria de imprensa da Funasa, dependendo da situação em cada local, as instituições governamentais podem trabalhar conjuntamente na intensificação das ações de prevenção, combate e controle.

Para o coordenador, a descentralização das ações foi positiva para o combate à doença. Segundo ele, o número de laboratórios para diagnóstico da malária nos nove estados da Amazônia Legal passou de 1.185, em 1999, para 3.185 em 2006. “Considero que o processo de descentralização foi extremamente positivo, porque a população está próxima do gestor, que é o secretário de saúde, o prefeito municipal, para cobrar. Isso faz com que as ações tenham esse controle social mais efetivo”, avalia José Lázaro de Brito Ladislau.

Em entrevista publicada pela Radiobrás, o governador de Rondônia, Ivo Cassol, defendeu que a Funasa reassumisse o combate ao problema. Segundo ele, a maioria dos municípios “ou não tem carro, ou não tem estrutura, ou não tem condições de fazer o trabalho”.

O pesquisador Mauro Shugiro Tada, do Centro de Pesquisas em Medicina Tropical de Rondônia, também diz que a prevenção será fundamental para que não haja uma explosão de malária no estado e, especialmente na região onde devem ser construídas as usinas, onde a doença já é considerada endêmica. Mas, segundo ele, se houver estudo e planejamento adequados, é possível evitar o avanço da doença em Rondônia, após o início das obras.

Jirau e Santo Antônio, as duas usinas que o governo federal quer construir no rio, somam 6.450 megawatts – aproximadamente metade da potência de Itaipu, a usina mais potente do país, e 8% da demanda nacional, segundo cálculo do governo. A obra depende da concessão de licença prévia pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Pelo projeto, as represas alagarão área proporcionalmente pequena e não controlarão a vazão do Madeira.


 

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