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7 de Junho de 2007 - 16h41 -
Última modificação
em 7 de Junho de 2007 - 16h41
Debate sobre a construção de represas aparece no dia-a-dia de Porto Velho
Sabrina Craide
Repórter da Agência Brasil
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Wilson Dias/ABr
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Porto Velho (RO) - Manifestante mostra adesivo apoiando a construção de hidrelétricas no Rio Madeira. O Ibama avalia se as usinas Jirau e Santo Antônio, polêmicas, têm viabilidade ambiental ou não
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Brasília - Nas ruas de Porto Velho, capital de Rondônia,
quase todo mundo já tem uma opinião formada sobre a
construção das usinas hidrelétricas do Rio
Madeira, e é difícil encontrar quem não esteja
pelo menos a par da questão. Apesar disso, o clima não
é de tensão nem de discussão acirrada de idéias.
Na capital, as manifestações favoráveis à
obra são mais evidentes que os posicionamentos contrários
às usinas.
Jirau e Santo Antônio,
as duas usinas que o governo federal quer construir no rio, somam
6.450 megawatts – aproximadamente metade da potência de
Itaipu, a usina mais potente do país, e 8% da demanda
nacional, segundo cálculo do governo. A obra depende da
concessão de licença prévia pelo Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
(Ibama). Pelo projeto, as represas alagarão área
proporcionalmente pequena e não controlarão a vazão
do Madeira.
Adesivos em carros, vitrines e objetos pessoais,
além de cartazes e outdoors com frases como: “Sou a
favor das hidrelétricas” e “Usinas já” ilustram a
posição de quem acha que o empreendimento deverá
trazer mais benefícios do que prejuízos para o estado
de Rondônia.
Composto por políticos,
comerciantes e empresários, o Comitê Pró-Usinas
do Rio Madeira organizou recentemente na cidade uma carreata por
vários bairros da cidade. A manifestação contou
com a adesão de cerca de 30 carros.
Para um dos
coordenadores do movimento, Jorge Luiz da Silva Alves, a construção
das usinas trará empregos e progresso para o estado, além
de evitar o risco de futura falta de energia elétrica no país.
“Nós sabemos que o Brasil daqui a cinco anos não vai
ter mais energia. Temos que ter as usinas do Rio Madeira funcionando
para não ter mais apagões”, declarou.
No
centro da capital, o ambulante José Carlos Souza trabalha
consertando relógios e amolando alicates. Em sua banca, ele
colocou um adesivo mostrando sua posição favorável
às usinas. Para ele, a energia das hidrelétricas pode
trazer novas oportunidades, inclusive para seus quatro filhos.
“Eu
sou a favor do desenvolvimento da nossa região. Eu vejo aqui,
trabalho aqui no centro observo muitos jovens desempregados, ociosos,
afim de trabalhar, passam com pastas na mão, procurando
emprego, distribuindo currículos, então acho que ia ser
bom as usinas virem aqui para empregar esse pessoal todo aí
que está sem fazer nada. Com a energia vai ser muito bom,
novas indústrias, novos empregos”, acredita Souza.
A
opinião do estudante Bruno Palmiere, de 17 anos, é
diferente. Ele se diz contrário à construção
das usinas porque acha que a cidade não vai suportar o grande
fluxo de pessoas que devem se deslocar na busca de novas
oportunidades de emprego: “As pessoas vão vir pra cá
por causa das usinas, procurando uma vida melhor, e a cidade não
vai ter uma infra-estrutura pra proporcionar uma vida adequada pra
essas pessoas. Ou seja, vai ser mais brasileiro sofrendo aqui em
Porto Velho”.
Também foi realizado na capital,
em 31 de maio, um debate promovido pela Associação
Nacional dos Docentes em Ensino Superior da Região Norte
(Andes). O evento reuniu apenas manifestantes contrários à
construção das usinas, pois representantes dos
movimentos favoráveis à obra não compareceram à
discussão. As empresas Furnas e Odebrecht, responsáveis
pelos estudos do empreendimento, também não enviaram
representantes.
O auditório do centro paroquial de
Rondônia ficou praticamente lotado, mas muitos eram estudantes
de ensino médio e universitários, que compareceram ao
evento estimulados por professores. O professor de sociologia da
Unir, Luís Novoa, um dos membros do Fórum Independente
Popular do Rio Madeira, acusou os empreendedores da obra e o governo
federal de travar a discussão sobre o tema. “O discurso de
inclusão, de participação no desenvolvimento
local não corresponde a pratica de uma população
absolutamente a mercê, relegada, que vai ser tratada como foram
as populações dos grandes empreendimentos hidrelétricos
do Brasil”, alertou.
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