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Manaus - A greve iniciada no dia 28 de maio pela Superintendência do
Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Roraima
interrompeu os processos de reassentamento das famílias não-indígenas
que precisam deixar a reserva Raposa Serra do Sol.
No último dia 4, o
Supremo Tribunal Federal (STF) anunciou uma decisão que mantém a
homologação da terra indígena, determinado a retirada dos não-índios do
local. A homologação do território foi regulamentada por meio de
decreto presidencial em 2005, mas a paralisação do órgão agrário pode
atrasar a definição da situação nessa região de confronto entre
indígenas e produtores de arroz.
Em função da greve, estão funcionando apenas serviços essenciais,
como a distribuição de alimentos para famílias incluídas no Programa de
Reforma Agrária (Paz no Campo) e perícias determinadas pela Justiça
Federal. Segundo o Incra, desde o segundo semestre de 2006, quando
foram intensificados os trabalhos de reassentamento dos remanescentes
não-índígenas na reserva Raposa Serra do Sol em Roraima, até o início
da greve no estado, 181 famílias foram reassentadas.
O trabalho do Incra para reassentamento das famílias que precisam
desocupar a reserva inicia após o pagamento da indenização pela
Fundação Nacional do Índio (Funai). Além disso, os beneficiados podem
receber da União lotes de terra que variam de 100 a 500 hectares. O
reassentamento só pode ser cumprido mediante o atendimento completo das
exigências feitas pelo órgão agrário. Funcionários públicos e
proprietários de terras fornecidas pela União, por exemplo, não podem
ser incluídos nos programas de reassentamento.
Para a empresária e ex vice-presidente da Associação dos Arrozeiros
de Roraima, Isabel Itikawa, as áreas reservadas pelo Incra para os
reassentamentos não são compatíveis com o que os produtores possuem
atualmente. Ela afirma que, quando adquiriu seu lote de terra, recebeu
do Incra e da Funai autorização para trabalhar no local, "que somente
ano passado foi considerado área de preservação indígena".
"Nós (produtores) compramos nossas fazendas de forma legal. Quando
tiramos os títulos dessas propriedades, tivemos autorização e respaldo
de que elas não estavam em áreas de preservação indígena. Além disso,
geramos emprego, contribuímos para o desenvolvimento da região e por
isso não temos porque sair daqui. Houve um compromisso do governo federal em alocar os produtores em área compatível e indenizar as
benfeitorias. Isso não foi feito, então por que hoje temos que sair de
nossas propriedades?", questiona.
Segundo a Asociação dos Arrozeiros de Roraima, 13% do Produto Interno Bruto do estado
é resultado da rizicultura, que emprega cerca de 8 mil pessoas de forma
direta e indireta. Em todo o estado, existem dez grandes usinas de arroz,
sendo a grande maioria localizada na área Raposa Serra do Sol.
A reserva indígena Raposa Serra do Sol possui aproximadamente 1,7
milhão de hectares e está localizada na fronteira do Brasil com a
Guiana e a Venezuela, no nordeste do estado de Roraima. Segundo o
Conselho Indígena de Roraima (CIR), o local concentra média de 18,7 mil
índios das etnias Macuxi, Wapixana, Ingarikó, Taurepang e Patamona.
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