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10 de Junho de 2007 - 17h58 -
Última modificação
em 10 de Junho de 2007 - 18h31
Moradores de Mutum-Paraná terão se mudar caso usinas em Rondônia sejam construídas
Sabrina Craide
Repórter da Agência Brasil
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Wilson Dias/ABr
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Porto Velho (RO) - A vice-presidente da Associação dos Moradores Ribeirinhos de Mutum-Paraná (RO), Maria Iraildes Valente de Menezes. Área da comunidade será inundada, caso se construam as usinas de Jirau e Santo Antônio, no Rio Madeira, e moradores terão de ser transferidos
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Brasília - Para chegar ao distrito de Mutum-Paraná, que faz parte do município de
Porto Velho (RO), é preciso percorrer 160 quilômetros
pela rodovia BR-364, do centro da capital até a comunidade. À beira da estrada,
apenas alguns estabelecimentos comerciais. Ao entrar na comunidade, pequenas
propriedades com casas simples e marcos históricos como os trilhos da estrada
de ferro Madeira-Mamoré, a casa de apoio da ferrovia e uma bela ponte de ferro
por onde passava o trem, sobre a qual hoje foi montado um bar para a diversão
dos moradores. A comunidade é uma das quatro que serão alagadas se as usinas
hidrelétricas do Rio Madeira forem construídas.
A previsão de alagamento está no relatório de impacto ambiental do
empreendimento, que não explicita se as comunidades serão total ou parcialmente
afetadas. Nos cálculos do Ministério Público Estadual, 214 famílias no núcleo
urbano de Mutum-Paraná deverão ser deslocadas após a construção da usina
hidrelétrica de Jirau. Além disso, 15 estabelecimentos comerciais na sede do
distrito e 28 em áreas fora da aglomeração urbana devem ser afetados.
Segundo contam os moradores
de Mutum-Paraná, se as águas ficarem constantemente no nível das cheias que
anualmente tiram muitos deles de casa, só será possível se deslocar de barco
pela região. Mesmo quem não tiver suas residências diretamente atingidas pelas
águas deverá sair do local, para não ficar ilhado.
“Na minha casa alaga já
naturalmente, mas são poucos dias, 20 dias, 17 dias, depois volta tudo ao
normal. E a previsão é de que vai alagar todo tempo, não vai ter seca, por isso
não vai poder ficar ninguém habitando aqui”, explica Maria Iraildes Valente de
Menezes, vice-presidente da Associação dos Moradores Ribeirinhos de
Mutum-Paraná.
Ela se diz contra a
construção das usinas, porque, mesmo se for deslocada para outro lugar, muita
coisa vai ficar para trás. “A gente sabe que mesmo tendo casa e tudo lá no
outro lugar se a gente for realocado mesmo não vai ter isso tudo, a gente vai
levar um bom tempo para fazer tudo de novo. Plantar suas árvores, arrumar tudo
como era aqui”, lamenta a moradora, mostrando o pé de manga em frente à sua
casa de madeira.
A moradora Lucimar Marques
da Silva, 60 anos, também não quer sair de Mutum-Paraná. “Para mim é muito bom
aqui. Tem tudo, a gente sai daqui, vamos pegar um peixinho ali, é muito
gostoso. Pega, vem e come. E em outros cantos é difícil, né?”, comenta.
Mesmo sabendo que a
comunidade será afetada, é possível encontrar em Mutum-Paraná moradores
favoráveis à construção das usinas hidrelétricas. A “Nova Mutum”, como já está
sendo chamada, ainda não tem local definido para construção, mas já traz
esperança de condições melhores.
Para o morador Rovaldo Herculino
Batista, os benefícios das hidrelétricas devem valer a pena. “Nós vamos mudar
daqui, cada morador vai receber uma casa e além disso vai ter a indenização pela
saída da casa que nós moramos aqui”, diz ele, que compareceu a todas as
reuniões realizadas na comunidade para debater a construção das barragens.
A geração de energia e o
desenvolvimento do estado são os motivos que fazem o morador de Mutum-Paraná
Osvaldo Borges de Quadros se afirmar favorável à construção das hidrelétricas
no Rio Madeira. “A usina vai gerar riqueza, desenvolvimento, outras indústrias
que podem se instalar no estado. Então, é beneficio para todos, empregos”,
considera o gaúcho, que está há quatro anos em Rondônia.
Segundo os moradores, três localidades estão sendo
estudadas para ser a futura “Nova Mutum”: Fazenda Rio Madeira, Fazenda Novo
Brasil e Imbaúma.
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