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10 de Junho de 2007 - 17h53 -
Última modificação
em 10 de Junho de 2007 - 18h26
Ribeirinhos do Rio Madeira têm pouca informação sobre conseqüências das hidrelétricas
Sabrina Craide
Repórter da Agência Brasil
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Wilson Dias/ABr
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Porto Velho (RO) - Igreja de Santo Antônio, localizada na comunidade de Cachoeira de Santo Antônio
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Brasília - As informações sobre o número de casas atingidas e as ações que serão
realizadas para apoiar as famílias que moram na beira do Rio Madeira, caso a
construção das usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau seja autorizada,
ainda são insuficientes para os ribeirinhos que moram nas comunidades de
Cachoeira de Santo Antônio e Cachoeira do Teotônio. Ambas fazem parte das
quatro que serão alagadas se as usinas hidrelétricas do Rio Madeira forem
construídas.
A previsão de alagamento
está no relatório de impacto ambiental (Rima) do empreendimento, que não explicita
se as comunidades serão total ou parcialmente afetadas.
Na comunidade de Santo Antônio, a 7 quilômetros do
centro de Porto Velho, ainda há desconfiança em relação as obras, mesmo depois
de diversas reuniões realizadas pela equipe técnica de Furnas Centrais
Elétricas. A estatal é responsável, com a construtora Norberto Odebrecht, pelo
estudo de impacto ambiental (EIA) e pelo Rima.
Segundo o morador Luiz Luz
Máximo, que mora lá desde que nasceu, há 51 anos, os estudos feitos sobre os
impactos na região com a construção das hidrelétricas são insuficientes. “A
gente pede a indenização certa e como vai ser indenizado, para onde vai, se
eles vão dar outro local, se vai indenizar em moeda. Mas ninguém
sabe, porque não foi dito nada, não foi afirmado nada, ninguém sabe nada”, diz
o morador.
Mesmo com a garantia de que
sua casa não será atingida, pois está em uma posição mais elevada, ele teme as
conseqüências do alargamento da margem do rio, e já se prepara para sair de sua
atual residência. “A minha casa corre o risco, porque uma obra como esta tem
que ter uma área de 15
quilômetros de segurança”, diz Máximo, que afirma
existirem atualmente 139 famílias em Santo Antônio.
Os moradores de Cachoeira do Teotônio também estão
desinformados sobre a situação em que irão ficar se as hidrelétricas forem
construídas. O povo da região já se prepara para deixar as casas, e as os
anúncios de venda de imóveis se tornaram comuns. De acordo com os próprios
moradores, atualmente há 280 pessoas vivendo ali.
Vaney Assef se mudou há
quatro para Teotônio, porque não encontrava emprego em Porto Velho. As
terras onde mora não serão atingidas pela água, mas ele teme que, com a cheia
do rio, os acessos à comunidade fiquem interrompidos, isolando a população. “Eu
estou com medo, porque eu tenho família. Isolando a gente aqui, a gente vai
para a cidade, pode ter milhões de empregos, mas sem capacitação como é que a
gente vai trabalhar?”, questiona o morador.
Ele conta que trabalhou
durante dois anos e quatro meses a serviço da empresa Furnas medindo o nível do
rio duas vezes por dia, ganhando R$ 200 reais por mês. Manifesta esperança diante
da perspectiva de a empresa de dar prioridade a quem já fez o serviço na hora
de contratar funcionários para a obra. “Eu estou nessa esperança. O rapaz me
falou que a partir do momento que fosse aprovado [a construção das hidrelétricas], as pessoas que tivessem
trabalhando nessa área de hidrometria automaticamente voltariam a fazer o mesmo
serviço”, diz Assef.
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