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Brasília - No Brasil, cerca de 3
milhões de crianças e jovens de até 16 anos
trabalham, de acordo com a última Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílio (PNAD) divulgada pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Na maioria das vezes,
são meninas obrigadas a lavar, passar e cozinhar ou cuidar de
crianças menores do que elas. Era o que ocorria com
Thaine Silva, de 13 anos, moradora do município de Serrinha,
na Bahia. Ela conta que já trabalhou como babá para
ajudar no sustento da mãe e dos cinco irmãos. Mas agora
pode sonhar com um futuro melhor.
Ela é um das 872
mil crianças que atualmente são atendidas pelo
Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti).
“Antes, era muito ruim porque eu trabalhava, às vezes as
mulheres não me pagavam, andavam me enrolando, mas depois que entrei para o Peti, recebo o dinheiro do programa, que também
ajuda muito, e aprendo muitas coisas lá”, afirma Thaine
Silva.
O Peti paga à
família R$ 40 por cada criança que deixe de trabalhar e
volte aos estudos. A criança também deve participar de
uma atividade no horário em que não estuda – a
chamada jornada ampliada. Os municípios recebem ainda R$ 20
por criança para ajudar no projeto.
Se a família
estiver cadastrada no programa Bolsa Família, o valor sobe
para R$ 95. Isso porque, no ano passado, o cadastro do Peti foi
integrado ao do Bolsa Família, que é mais completo e
fornece mais informações sobre a situação
dessas crianças. A meta do governo é retirar, até
o final do ano, 1,5 milhão de crianças do trabalho
infantil.
Hoje (12), Dia
Mundial de Combate ao Trabalho Infantil, o Ministério do
Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) começará
a veicular na televisão, nas rádios e nos jornais uma
campanha para ajudar a identificar a situação de
trabalho infantil e denunciar.
A secretária executiva
do ministério, Márcia Lopes, lembra a importância
de que a sociedade também seja responsável pela
erradicação do trabalho infantil. Para isso, alerta que
a Constituição Federal proíbe qualquer tipo de
trabalho para menores de 16 anos, exceto como aprendizes a partir dos
14 anos.
“Mudar essa cultura
depende da vigilância, depende da disposição das
pessoas de denunciar, sair do individualismo e de fato ter uma
participação cidadã, coletiva, nessa dinâmica
da nossa sociedade”, explica Márcia.
A denúncia de
trabalho infantil deve ser feita pelo telefone 0800-707-2003. Segundo
a secretária, “a orientação é
para que qualquer cidadão que observe, que identifique uma
criança no trabalho infantil, encaminhe e denuncie aos
conselhos tutelares, conselhos da Criança e do Adolescente, conselhos de assistência social, à própria escola, a uma unidade básica de saúde, aos agentes do programa Saúde da Família, ou ao Ministério
Público”.
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