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15 de Junho de 2007 - 12h25 -
Última modificação
em 15 de Junho de 2007 - 17h01
Comunidade é maioria no conselho gestor do projeto Casa Brasil na periferia de Salvador
Juliana Andrade
Repórter da Agência Brasil
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Valter Campanato/ABr
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Salvador (BA) - Sala de aula de informática da Casa Brasil, que faz inclusão digital na periferia da capital baiana
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Salvador - A comunidade do bairro Fazenda Coutos, na periferia de Salvador (BA), é maioria no conselho gestor do Casa Brasil Coutos: dos nove membros, seis são representantes comunitários. Os demais são representantes de Organizações Não-Governamentais e do governo federal.
Inaugurado em dezembro de 2006, em um espaço cedido pela prefeitura, o Casa Brasil Coutos tem um telecentro com 20 computadores com acesso gratuito à internet, auditório, sala de leitura e laboratório de reciclagem.
Um dos freqüentadores é Daniel Neves, de 18 anos, que mora no bairro de 30 mil habitantes desde que nasceu. Ele conta que antes de o local ser inaugurado tinha usado o computador poucas vezes. Agora, diz, a internet apresentou-lhe um mundo inteiramente novo. Com o conhecimento de novas tecnologias e de ferramentas da informática, Neves visualiza mais chances de conseguir um emprego melhor.
"Nós que somos de baixa renda precisamos estar por dentro da tecnologia e da informática. Se vamos procurar um emprego, é preciso saber mexer com computador, ter informação sobre tecnologia", observa. "Esse telecentro é muito importante para a gente. Aqui vamos conhecendo projetos e, através desse desenvolvimento, vamos sonhando cada dia mais com um mundo melhor".
Segundo o coordenador do Casa Brasil Coutos, Gilvan Aragão, muitos moradores estão seguindo o mesmo caminho de Neves. Não apenas os jovens, mas pessoas idosas.
"De início eu achei preocupante, porque os moradores tinham um certo receio em função de outros projetos que não deram certo. Mas depois de inaugurado, a convivência aqui com eles e a participação deles nas atividades foram muito surpreendentes".
O Projeto Casa Brasil é desenvolvido pelo governo federal desde 2005. Tem como principal objetivo reduzir a desigualdade social em regiões de baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). O foco é na formação e capacitação das comunidades em tecnologia, com apoio à produção cultural local.
Na capital baiana há três unidades do Casa Brasil, todas na periferia. "Pouco a pouco, o projeto está mudando a realidade dessas comunidades. Em uma cidade como Salvador, onde 70% da população é de classes menos favorecidas, um projeto que traz cursos, benefícios e inserção no mundo digital naturalmente cria oportunidades de emprego e renda", avalia o coordenador regional do Casa Brasil, Gabriel Marques.
Ele conta que as atividades são auxiliadas por monitores bolsistas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O número mensal de acessos à internet no telecentro chega a 2,4 mil.
Até o final deste mês, os participantes do projeto no bairro de Fazenda Coutos também vão poder freqüentar cursos de reciclagem de materiais como garrafas PET e de recuperação de computadores usados, doados pelo governo e pela iniciativa privada.
Depois de recuperados, os equipamentos serão levados a escolas públicas, postos de saúde e Organizações Não-Governamentais que ficam na periferia de Salvador.
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