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16 de Junho de 2007 - 13h11 -
Última modificação
em 16 de Junho de 2007 - 13h57
Enfermeiro vai deixar a cidade para trabalhar em assentamento do MST
Marcela Rebelo
Repórter da Agência Brasil
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Marcello Casal Jr/ABr
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Brasília - Enfermeiro Bernardo Amaral, que participou de Congresso Nacional do MST na capital federal, conta que vai morar em assentamento de Governador Valadares (MG).
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Brasília - Foi depois de passar um mês em um assentamento da reforma agrária no interior de Minas Gerais que Bernardo Amaral, de 27 anos, conseguiu sentir-se ligado a um "projeto de país". É assim que Amaral classifica a experiência - um complemento à universidade, que, segundo ele, deixava nele um sentimento de isolamento da realidade brasileira.
Formado em Enfermagem
na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Amaral se integrou ao
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) após
participar de um estágio interdisciplinar de vivência nos
assentamentos do movimento.
“A gente fica ali morando, vivendo, sentindo o que é ser um
sem-terra, e isso abre para a gente uma oportunidade que a universidade
não traz, que a juventude muitas vezes não tem, que é
transformar sua profissão e vincular a um projeto de país,
a um projeto de nação”, conta.
Ele critica o modo como que se dá a formação
profissional dos jovens, atualmente. “Na universidade, um
profissional é formado distante do nosso país, distante
da realidade do nosso povo. Conhecer dentro do MST, ou ir em uma
comunidade quilombola e indígena e viver junto com o povo, é
o processo de formação que a gente precisa construir”,
diz.
“O estudante, quando é levado para fora da faculdade, para
pensar, viver, pisar em outro lugar, rapidamente se encanta com a
realidade do nosso povo. Hoje, muitas vezes, a faculdade separa os
processos de formação do estudante do seu chão:
separando culturalmente, intelectualmente e até fisicamente.
Tem até aquela frase: a cabeça pisa onde o pé
pisa. Então como a gente vai formar um profissional de saúde
distante da sua própria realidade?”, questiona.
Amaral se formou em
dezembro do ano passado e, agora, vai morar no assentamento Oziel Alves, em Governador Valadares (MG). Questionado se pretende ficar lá para o resto da
vida, hesita em um primeiro momento, mas diz que sim. “Pretendo. É
uma construção de vida. Como
6 milhões de pessoas fazem hoje no Brasil. É a vida do
nosso povo, o que tem de anormal isso? Ter uma família no
campo é muito melhor que ter uma família na cidade. A
gente tem escola, saúde, pode escolher o que plantar, o que
comer.”
Ele conta que o Oziel Alves é um assentamento antigo em Minas
Gerais, e as famílias de lá vivem em agrovilas. “Têm sua
escola, sua produção, bibliotecas, já têm as
suas casas, é um assentamento estruturado. É hoje o
centro de formação estadual do movimento”, conta.
Atualmente, Amaral trabalha no setor estadual de saúde do MST
e desenvolve projetos na área de saúde coletiva
dos assentamentos.
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