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16 de Junho de 2007 - 13h54 -
Última modificação
em 17 de Junho de 2007 - 10h23
No acampamento Caio Prado Júnior, assentada fabrica pomada, sabão e lambedor
Marcela Rebelo
Repórter da Agência Brasil
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Marcello Casal Jr/ABr
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Brasília - Integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) Marilza Gomes mostra "lambedor", mistura orgânica para combater dor de garganta.
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Brasília - A trabalhadora rural Marilza Gomes, de 54 anos, ingressou no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e trabalha com a produção de medicamentos naturais. Hoje, ela vive no acampamento Caio Prado Júnior, em Sergipe, e faz produtos como pomadas naturais, argila e sabão medicinal e pomadas cicatrizantes. Os produtos são vendidos em feiras e, como diz a própria Marilza, para quem entende a luta dos trabalhadores e valoriza a medicação natural.
Um dos produtos mais procurados é o lambedor, que custa R$ 5. “Lambedor é o xarope, mas a Anvisa proíbe que a gente coloque xarope porque a gente teria que ter pesquisas científicas. Nós temos pesquisas, só que nos conhecimentos naturais”, explica.
A pomada para reumatismo é feita com arnica, vaselina e “outros segredinhos” que Marilza prefere não revelar. Ela consegue as ervas e os outros materiais para produzir os medicamentos nos próprios assentamentos. “Pegamos nas matas, nas reservas dos acampamentos e dos assentamentos”. Segundo ela, os medicamentos são produzidos com o auxílio de biólogos e fitoterapeutas. “O MST trabalha em conjunto com as universidades federais”, diz.
Dona Josefa foi quem ensinou Marilza, ainda em Aracaju, a fazer os medicamentos naturais e se tratar com o que produzia. “Ela foi a nossa mestra, a mola que nos empurrou pra frente pra aprender mais”, lembra. Quando dona Josefa morreu, Marilza resolveu morar em acampamentos com o MST. “Ela faleceu e eu fiquei sem saída. Conversei com os companheiros, fui para o acampamento”, conta.
Antes de adoecer, Marilza morava de aluguel com os dois filhos em Aracaju. Era funcionária pública: servente e merendeira do estado. “Aí veio as lesões”, lembra. Os filhos, de 20 e 24 anos, continuam morando na capital. Mas a trabalhadora sonha em todos morar no campo. “Vamos morar definitivo no assentamento”, diz.
Ela reclama da falta de oportunidade para os filhos. “A falta de emprego é muito grande”, diz. Marilza conta que se encantou com o acampamento em que mora atualmente.“Ajudei a fazer a ocupação e me apaixonei pela área. A área é muito bonita, tem coqueiral, sabe?”.
E diz que é no acampamento que consegue se tratar. “É difícil alguém acreditar, mas eu me sinto muito melhor, me sinto bem. Eu tenho diabetes alta, vou para o acampamento às vezes me sentindo péssima, quando chega lá eu consigo reverter o meu quadro emocional”.
“Eu tenho crises de artrite, vou pra lá com o joelho inchado, quando retorno eu me sinto bem. O ar, o movimento do acampamento... Tem o lado emocional da doença e se você consegue trabalhar o emocional, você também consegue melhorar”, ressalta.
Além de produzir medicamentos naturais, Marilza cria galinhas no acampamento em que vive. “Depois que a gente tiver assentado, a gente tem o nosso projeto coletivo, que é produzir verdura, leguminosa, de preferência, sem química”. Junto com Marilza, moram cerca de 320 famílias no acampamento Caio Prado Júnior.
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