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20 de Junho de 2007 - 14h01 - Última modificação em 20 de Junho de 2007 - 17h15


Lupi anuncia medidas de combate ao trabalho escravo na produção de etanol

Marcos Agostinho
Da Agência Brasil

 
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Brasília - O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, aproveitou hoje (20) a entrevista coletiva em que foram divulgados os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) para informar que o governo vai intensificar as ações no combate ao trabalho escravo no Brasil.

De acordo com os dados do Caged, dos 80.340 novos postos com carteira assinada gerados pelo setor agropecuário, 25.622 são provenientes do setor açucareiro, a maioria no corte da cana. Para Carlos Lupi, esse dado mostra a importância do setor na geração de empregos. Portanto, disse ele, será esse o setor em que o Ministério do Trabalho focará as principais ações com o intuito de amenizar a problemática do trabalho escravo.

“Como essa área desperta muito o interesse internacional, nós já estamos preparando convênios com a Petrobras e com o Ministério da Agricultura para desenvolvermos um trabalho intenso para erradicar o trabalho escravo no Brasil", afirmou o ministro.

Lupi enfatizou que esse trabalho tem o objetivo de antecipar-se às críticas internacionais ao Brasil, principalmente em relação à produção de cana-de açúcar. Ele anunciou que a primeira medida será o que chamou de “marco zero” no  Pará e explicou que o estado foi escolhido porque é o que registra maior incidência de casos de trabalho escravo, com trabalhadores provenientes principalmente do Maranhão e Piauí.

“Vamos promover um ato inédito: uma ação conjunta entre os governos dos três estados [Pará, Maranhão e Piauí] com os órgãos de defesa das assembléias nativas e polícias Rodoviária e Federal”, disse o ministro. Segundo ele, a medida é necessária para que o país saia de defensiva em relação às cobranças vindas de outras países que têm interesse na produção de etanol e tentam, com isso, desqualificar a produção brasileira.

“A questão do etanol é prioritária para o país - venho recentemente de uma reunião na OIT [Organização Internacional do Trabalho], e a gente percebe com clareza um movimento para prejudicar o Brasil no cenário internacional, já que somos os pioneiros nessa tecnologia”, acrescentou Lupi.

Para ele, esse discurso é puxado por americanos e alemães, segundo os quais, no Brasil, só existe a produção de etanol devido ao trabalho escravo. 

Entre as medidas para acabar com essa prática no Brasil, Lupi destacou a fiscalização, a prevenção e o lançamento de cartilhas, além de multas, desapropriação, proibição de obtenção de créditos e refinanciamento de dívidas.




 


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