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São Paulo - Uma comissão organizada pela Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas) viaja amanhã (26) ao Haiti para se reunir com lideranças políticas e defender a saída das tropas latino-americanas que compõem a força de paz das Nações Unidas (ONU) no país. A comissão é composta por vinte pessoas, entre elas representantes de sindicatos e também da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Há três anos, o exército brasileiro chefia a ocupação militar no Haiti, país considerado o mais pobre do continente.
"A viagem ao Haiti tem o propósito de denunciar a ocupação que está sendo feita pelas tropas da ONU e dirigida pelo Brasil", explica o coordenador da Conlutas, Antonio Ferreira, que fez o anúncio hoje (25). Segundo ele, a comissão vai averiguar o alto o número de denúncias de tortura e estupros no Haiti, sendo algumas delas associadas a soldados das tropas da ONU. Porém, a comissão não entrará em contato com qualquer autoridade diretamente ligada à ONU durante a viagem.
Durante a viagem, membros dessa comissão têm audiências marcadas com ministros e o presidente do governo haitiano, René Préval, com embaixadores de outros países latino-americanos e com professores universitários. O objetivo é manifestarem-se contrários à forma que está sendo conduzida a missão de paz. O grupo também se reúne com dirigentes sindicais, pastorais e representantes de partidos políticos.
A comissão brasileira contra a presença das tropas estrangeiras no Haiti começou a formar-se após a denúncia feita pelo movimento social haitiano Batay Ouvriye (Luta Operária). Em março deste ano, representantes desse movimento estiveram no Brasil e denunciaram abusos de violência por parte das tropas brasileiras e latino-americanas, além de ineficiência por parte da missão de paz das Nações Unidas.
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