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Brasília - Uma pesquisa divulgada hoje (26)
revelou que 178 jovens morreram sob tutela do Estado entre 2003 e
2005 no Distrito Federal, seis deles no Centro de
Atendimento Juvenil Especializado (Caje).
As vítimas cumpriam medidas socioeducativas de internação,
semiliberdade e liberdade assistida. O estudo foi realizado pela
Universidade de Brasília (UnB), em parceria com o Ministério
Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).
O promotor de Defesa da Infância
e da Juventude, Anderson Pereira, considera alto o número de
mortes nas unidades de internação. E informa que
algumas famílias entraram na Justiça contra o Estado.
“Já é grave o
adolescente que está cumprindo medida de internação
sair no fim de semana e morrer na sua comunidade de origem.
Agora, muito mais grave é morrer dentro da instituição
que deveria custodiá-lo, ressocializá-lo, reeducá-lo,
e não contribuir para a morte dele”, disse à Agência
Brasil.
Segundo Pereira, as causas das mortes não
foram o foco da pesquisa, mas a maioria
dos homicídios foi causada por rivalidades e discussões
ocasionadas por embriaguez
alcoólica.
“A responsabilidade do Estado é objetiva,
não depende de culpa. Não interessa se o agente do
Estado foi ou não negligente com relação à
guarda daquele adolescente. Se morreu dentro de uma dependência
estatal, o Estado é obrigado a indenizar. E se morreu enquanto
cumpria a medida [socioeducativa], cabe verificar em que
circunstâncias se deu a morte”, diz.
Para a realização
da pesquisa, foram aplicados questionários nas instituições
que atendem adolescentes e jovens em conflito com a lei. Todos eram
do sexo masculino, tinham entre 16 e 19 anos, moravam
na periferia e estudaram até a 5ª série; 87%
tinham famílias com renda igual ou inferior a dois salários
mínimos e 64% eram pardos.
As principais infrações que cometeram são: roubo
(26,7%), homicídio (14,1%) e furto (9,9%).
Para
o diretor de Medidas Socioeducativas da Secretaria de Justiça,
Direitos Humanos e Cidadania do DF, Ricardo Batista Souza, o
levantamento estatístico é fundamental na orientação
e elaboração de políticas públicas.
Com
relação às mortes dos seis internos no Caje,
o diretor conta que a unidade já passou por uma série
de mudanças desde a época da pesquisa, como a redução do número de
internos (de 400 para 230) e a adoção de medidas de
segurança para melhorar o convívio entre eles. “Além
disso, redobramos a cautela e a segurança em relação
ao convívio. Estamos preenchendo melhor o tempo deles com
atividades não só profissionalizantes, mas também
com escola”.
O promotor Anderson Pereira explica que a pesquisa
propõe também a realização de um
monitoramento. “Através de perguntas simples, pode-se
diagnosticar precocemente a existência de risco à vida
daquele adolescente, para que operadores jurídicos e sociais
possam tomar medidas preventivas”.
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