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30 de Junho de 2007 - 11h31 - Última modificação em 30 de Junho de 2007 - 11h31


Anúncio de suporte do BNDES ao Friboi gera debate sobre critérios para apoio público a empresas

Sabrina Craide
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - O anúncio do apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o grupo JBS, controlador do frigorífico Friboi, na operação de compra da empresa Swift, confirmado esta semana, reabriu o debate sobre os critérios que deveriam ser exigidos pelo banco para o aporte de recursos. Segundo o presidente do banco, Luciano Coutinho, o BNDES apoiará outras operações que visem a dar suporte para empresas brasileiras no cenário internacional, com vistas ao aumento das exportações, por exemplo.

Sem comentar especificamente a operação da Friboi, o pesquisador Carlos Tautz, do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), afirma que o BNDES deve ratificar o seu caráter público e o seu compromisso com o desenvolvimento do Brasil. “Ele não pode se igualar aos outros bancos de financiamento que visam exclusivamente o retorno financeiro", diz ele.

"É um banco de desenvolvimento e um banco público, e isso dá a ele certas características e exigiria que tivesse outros critérios quando desembolsasse os seus empréstimos”, afirma Tutz, que também faz parte da Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais.

Além de exigir mais transparência no fornecimento de informações para a sociedade e a discussão de critérios para conceder ou rejeitar empréstimos, Tautz ressalta a necessidade de que sejam definidos critérios sociais e ambientais para a realização de operações. Segundo ele, o banco deveria ser fortemente reorientado para reduzir desigualdades sociais no Brasil e contribuir para que o processo produtivo deixe de emitir gases causadores das mudanças climáticas. “O banco tem tamanho, tem força, tem capacidade e recursos suficientes para influenciar a matriz produtiva no Brasil”, afirma.

Para exemplificar a demanda por critérios sociais, o pesquisador cita um exemplo prático. Na sua avaliação, ao fazer um aporte para empresa se instalar na Bahia, o financiamento deveria estar condicionado a que pelo menos 80% dos trabalhadores fossem negros e negras e em cargos no mínimo de direção, já que essas são as estatísticas de pessoas dessa raça no estado. “O banco tem como elaborar e colocar esse critério em prática, é só ter decisão política nesse sentido”, explica.

Tautz conta que, há três anos, o Ibase vem dialogando com o banco para sugerir critérios sociais e ambientais para os aportes realizados. Junto com outras organizações, o instituto produziu uma plataforma de demandas que será entregue à diretoria do BNDES, pedindo abertura de diálogo. A primeira reunião foi marcada para o dia 9 de julho.



 


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