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2 de Julho de 2007 - 16h37 - Última modificação em 2 de Julho de 2007 - 16h37


Parceria aprofunda diálogo político de meio século com Europa, diz embaixadora

Mylena Fiori
Enviada especial

 
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Lisboa (Portugal) - A parceria estratégica proposta pela União Européia ao Brasil representa o aprofundamento de um diálogo político mantido há quase 50 anos, na avaliação da embaixadora Maria Edileuza Fontenele Reis, chefe do Departamento de Europa do Itamaraty. “A parceria estratégica é um mecanismo essencialmente político que permite diálogo no mais alto nível”, resume a embaixadora.

De acordo com o porta-voz da Presidência da República, o diplomata Marcelo Baumbach, a parceria permitirá conversas sobre temas de interesse recíproco, em áreas como energia, mudança do clima, ciência e tecnologia, cooperação técnica, combate à pobreza e à exclusão social.

“A parceria é decorrência natural do relacionamento do Brasil com a União Européia, iniciada há  47 anos, e coincide com a inauguração da presidência portuguesa no Conselho da União Européia, no segundo semestre de 2007”, afirmou o porta-voz em briefing à imprensa sobre a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Portugal, para a Cúpula Brasil-UE, marcada para quarta-feira (4). Portugal assumiu a presidência ontem.

O Brasil mantém desde 1960 relações com a União Européia – então Comunidade Econômica Européia (CEE). Neste período, a aproximação teve altos e baixos. Acordos preferenciais de comércio firmados pela Europa com países da Ásia, Caribe e Pacífico, entre outros, prejudicaram as exportações de produtos primários brasileiros e dificultaram as relações comerciais.

Nos últimos anos, porém, o diálogo bilateral tem se intensificado, especialmente no âmbito da Comissão Mista Brasil – União Européia, que teve sua décima reunião em março deste ano. As discussões incluem diferentes setores, como meio ambiente e agricultura. Durante visita do presidente Lula a Bruxelas, quinta-feira (5), será iniciado diálogo em energia. No segundo semestre deste ano, de acordo com o Itamaraty, estão previstas visitas ao Brasil de comissários europeus das áreas de desenvolvimento regional e políticas sociais - também serão assinados memorandos de entendimento nestas áreas, como parte dos trabalhos da comissão bilateral.

De acordo com o Itamaraty, embora impulsionada por Portugal, a parceria estratégica entre Brasil e UE já vinha sendo construída paralelamente aos trabalhos da comissão mista. A primeira vez em que a Europa manifestou interesse em um diálogo privilegiado teria sido em 2005, durante visita ao Brasil da comissária de Relações Exteriores e Políticas de Vizinhança, Benita Ferrero-Waldner.

A parceria interessa ao Brasil sob vários aspectos, segundo a diplomacia brasileira. Um deles é a criação e normatização de um mercado internacional de biocombustíveis. Há, inclusive, perspectivas de cooperação para produção de oleaginosas (como mamona e girassol) em países da África e Caribe – acordo nesse sentido foi firmado entre Brasil e Estados Unidos durante visita do presidente George W. Bush, em março deste ano. Também interessa ao Brasil a retomada das negociações comerciais entre Mercosul e União Européia, paralisadas desde 2004.

O Brasil já mantém parceria estratégica com seis países europeus: Alemanha, Portugal, Espanha, Reino Unido, França e Itália – esta última firmada em março, quanto o primeiro-ministro Romano Prodi também esteve no Brasil.

Saiba mais sobre a proposta européia para a parceria estratégica, que tem um capítulo dedicado às fontes energéticas.


 


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