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Lisboa (Portugal) - A
parceria estratégica proposta pela União Européia ao Brasil representa
o aprofundamento de um diálogo político mantido há quase 50 anos, na avaliação da embaixadora Maria Edileuza Fontenele
Reis, chefe do Departamento de Europa do Itamaraty. “A parceria
estratégica é um mecanismo essencialmente político que permite diálogo no mais alto nível”, resume a embaixadora.
De
acordo com o porta-voz da Presidência da República, o diplomata Marcelo
Baumbach, a parceria permitirá conversas sobre temas de interesse recíproco, em áreas como energia, mudança do
clima, ciência e tecnologia, cooperação técnica, combate à pobreza e à
exclusão social.
“A parceria é decorrência natural do relacionamento do
Brasil com a União Européia, iniciada há 47
anos, e coincide com a inauguração da presidência portuguesa no
Conselho da União Européia, no segundo semestre de 2007”, afirmou o porta-voz em
briefing à imprensa sobre a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Portugal, para a Cúpula Brasil-UE, marcada para quarta-feira (4). Portugal assumiu a presidência ontem.
O
Brasil mantém desde 1960 relações com a União Européia – então Comunidade
Econômica Européia (CEE). Neste período, a aproximação
teve altos e baixos. Acordos preferenciais de comércio firmados pela
Europa com países da Ásia, Caribe e Pacífico, entre outros,
prejudicaram as exportações de produtos primários brasileiros e
dificultaram as relações comerciais.
Nos
últimos anos, porém, o diálogo bilateral tem se intensificado,
especialmente no âmbito da Comissão Mista Brasil – União Européia, que
teve sua décima reunião em março deste ano. As
discussões incluem diferentes setores, como meio ambiente e agricultura.
Durante visita do presidente Lula a Bruxelas, quinta-feira (5), será iniciado diálogo em energia. No segundo semestre
deste ano, de acordo com o Itamaraty, estão previstas visitas ao Brasil
de comissários europeus das áreas de desenvolvimento regional e políticas sociais - também serão assinados memorandos de
entendimento nestas áreas, como parte dos trabalhos da comissão bilateral.
De
acordo com o Itamaraty, embora impulsionada por Portugal, a parceria
estratégica entre Brasil e UE já vinha sendo construída paralelamente
aos trabalhos da comissão mista. A primeira vez em que a Europa manifestou
interesse em um diálogo privilegiado teria sido em 2005,
durante visita ao Brasil da comissária de Relações Exteriores
e Políticas de Vizinhança, Benita Ferrero-Waldner.
A
parceria interessa ao Brasil sob vários aspectos, segundo a diplomacia
brasileira. Um deles é a criação e normatização de um mercado internacional de
biocombustíveis. Há, inclusive,
perspectivas de cooperação para produção de oleaginosas (como mamona e girassol) em países da
África e Caribe – acordo nesse sentido foi firmado entre Brasil e
Estados Unidos durante visita do presidente George W.
Bush, em março deste ano. Também interessa ao Brasil a
retomada das negociações comerciais entre Mercosul e União Européia, paralisadas
desde 2004.
O
Brasil já mantém parceria estratégica com seis países europeus:
Alemanha, Portugal, Espanha, Reino Unido, França e Itália – esta última
firmada em março, quanto o primeiro-ministro Romano Prodi também esteve no Brasil.
Saiba mais sobre a proposta européia para a parceria estratégica, que tem um capítulo dedicado às fontes energéticas.
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