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3 de Julho de 2007 - 12h25 - Última modificação em 3 de Julho de 2007 - 12h25


Conheça o histórico das denúncias contra o presidente do Senado

Marcos Chagas
Repórter da Agência Brasil

 
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Fabio Pozzebom/ABr
Brasília- O presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL), acena para jornalistas ao deixar a Casa Brasília- O presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL), acena para jornalistas ao deixar a Casa
Brasília - A primeira denúncia contra o presidente do Senado foi apresentada em 30 de abril, pela revista Veja. Uma reportagem afirmava que o funcionário da empresa Mendes Júnior, Cláudio Gontijo, seria a fonte pagadora de uma pensão informal de R$ 12 mil à jornalista Mônica Veloso, com quem Renan Calheiros tem uma filha. A partir desta denúncia, o presidente do Senado foi ao plenário prestar esclarecimentos. Reconheceu a relação extraconjugal com a jornalista, afirmou que a pensão era paga por ele e que o dinheiro repassado era todo seu.

De acordo com o senador, o funcionário Cláudio Gontijo, de quem é amigo pessoal, seria apenas o repassador dos recursos. O corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), abriu, de imediato, investigações para apurar as denúncias. Calheiros encaminhou à corregedoria cópias de depósitos bancários e suas declarações de imposto de renda. No andamento destas investigações, novas denúncias foram publicadas na imprensa. Entre elas, a de que Renan Calheiros teria fazendas de sua propriedade em Alagoas em nome de "laranjas".

O parlamentar encaminhou novas documentações, como declarações de Imposto de Renda, para comprovar que as fazendas foram adquiridas em seu nome. Estas investigações foram transferidas da Corregedoria do Senado para o Conselho de Ética, a partir do momento em que o colegiado acatou, em maio, a representação do P-SOL.

Já com o processo por quebra de decoro instalado no Conselho de Ética, o parlamentar foi submetido a novas denúncias. Veiculadas em reportagens do Jornal Nacional, da TV Globo, as denúncias mostravam  notas fiscais duvidosas que teriam sido usadas para comprovar a renda agropecuária do senador, além do salário de senador. O presidente do Senado apresentou vários documentos, como recibos e notas fiscais, de transações comerciais realizadas em Alagoas com a venda de gado.

Uma perícia da Polícia Federal foi solicitada pelo Conselho de Ética para verificar a autenticidade dos documentos entregues pela defesa do senador. O resultado da investigação policial mostrou que as notas eram autênticas, mas não houve uma checagem fiscal sobre as transações realizadas, o que está sendo requerido agora por membros do Conselho de Ética. Agora, existe uma polêmica dentro do conselho sobre a possibilidade de se aprofundar a perícia. Alguns, como o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), argumentava que esta perícia poderia ser aprofundada sem que o conselho ultrapassasse seus limites regimentais.

Outros, como Romero Jucá (PMDB-RR) e Ideli Salvati (PT-SC), já defenderam, durante a tramitação do relatório do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA), que o conselho não tinha prerrogativa de requerer investigações sobre questões fiscais e tributárias que envolvessem quebra de sigilo, por exemplo. Segundo esses parlamentares, qualquer investigação nesse sentido teria que ser feita pelo Ministério Público Federal com a autorização do Supremo Tribunal Federal (STF). Após a polêmica, houve a renúncia do então presidente do conselho, senador Sibá Machado (PT-AC).

Ontem (02), o novo presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), devolveu o processo por quebra decoro parlamentar à Mesa Diretora, baseando-se no resultado de uma análise da consultoria jurídica do Senado. A decisão é mais um capítulo na polêmica sobre a atribuição e os limites da investigação no Conselho de Ética. Segundo o parecer jurídico, há dois erros principais na tramitação do processo.

O primeiro seria o encaminhamento da representação do P-SOL ao Conselho de Ética por uma decisão exclusiva de Renan Calheiros e não por todos os integrantes da Mesa Diretora, como prevê o regimento interno. O segundo seria a realização de perícia em documentos pela Polícia Federal, sem ter sido aprovada pela Mesa Diretora do Senado, como também exigiriam as regras.


 


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