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3 de Julho de 2007 - 21h07 - Última modificação em 3 de Julho de 2007 - 21h07


Empresa do Pará não reconhece a utilização de trabalhadores escravos

Isabela Vieira
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - O grupo Pará Pastoril Agrícola S. A. (Pagrisa) declarou que considera “inverídicas” as informações sobre a utilização de trabalho escravo na fazenda da empresa em Ulianópolis, a 250 quilômetro de Belém. Na semana passada, o Grupo Móvel de Combate ao Trabalho Escravo do Ministério do Trabalho e Emprego encontrou 1,1 mil empregados em condições análogas à de escravos na fazenda.

O Ministério Público do Trabalho anunciou que esta foi a maior libertação de trabalhadores escravos do país. Na nota divulgada à imprensa, a Pagrisa sustenta que combate e repudia o trabalho escravo e, por isso, “está espantada e indignada” com a denúncia.

De acordo com o auditor e coordenador do Grupo Móvel que esteve na fazenda , Humberto Célio, ainda não foi calculada a multa pela infração. Mas a empresa deve aos trabalhadores R$ 1,8 milhão em benefícios trabalhistas como férias e 13° salário. Os pagamentos devem começar amanhã (4).

Em relação aos direitos trabalhistas, a empresa informa que todos têm carteiras de trabalho assinadas e possuem as anotações exigidas na legislação. “A empresa não efetua no contracheque do empregado qualquer desconto salarial referente a compra em mercearias locais e serviços de alimentação”, completa a nota.

Em entrevista à Agência Brasil, o coordenador do grupo Móvel disse que as irregularidades que mais chamaram a atenção foram as condições em que eram servidas a comida e a água. “ Tinha muita gente doente, com diarréia e náuseas, por exemplo, devido à comida estragada e à água ruim", destacou Célio.

De acordo com a nota da Pagrisa, a alimentação era servida em refeitórios “por empresa especializada e reconhecida no mercado”. A água “também oferecia qualidade” e era distribuída aos trabalhadores em garrafas térmicas, que eram reabastecidas uma vez ao dia, totalizando dez litros por pessoa.

Os trabalhadores, no entanto, não eram alojados em condições ideais, reconhece a Pagrisa. “A questão acima da demanda em parte dos alojamentos foi uma situação temporária, que se deveu exclusivamente à quebra do gerador de energia elétrica que abastecia um dos agrupamentos”, diz a nota acrescentando que a situação foi resolvida.

A Secretaria de Fazenda do Pará informou que a Pagrisa é a única produtora de álcool combustível do estado e é responsável pelo abastecimento do mercado interno. A empresa também produz açúcar.



 


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