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Brasília - O grupo Pará
Pastoril Agrícola S. A. (Pagrisa) declarou que considera
“inverídicas” as informações sobre a
utilização de trabalho escravo na fazenda da empresa em
Ulianópolis, a 250 quilômetro de Belém. Na semana
passada, o Grupo Móvel de Combate ao Trabalho Escravo do
Ministério do Trabalho e Emprego encontrou 1,1 mil empregados
em condições análogas à de escravos na
fazenda.
O Ministério Público do Trabalho
anunciou que esta foi a maior libertação de
trabalhadores escravos do país. Na nota divulgada à
imprensa, a Pagrisa sustenta que combate e repudia o trabalho escravo
e, por isso, “está espantada e indignada” com a denúncia.
De acordo com o auditor e coordenador do Grupo Móvel
que esteve na fazenda , Humberto Célio, ainda não foi
calculada a multa pela infração. Mas a empresa deve aos
trabalhadores R$ 1,8 milhão em benefícios trabalhistas
como férias e 13° salário. Os pagamentos devem
começar amanhã (4).
Em relação aos
direitos trabalhistas, a empresa informa que todos têm
carteiras de trabalho assinadas e possuem as anotações
exigidas na legislação. “A empresa não efetua
no contracheque do empregado qualquer desconto salarial referente a
compra em mercearias locais e serviços de alimentação”,
completa a nota.
Em entrevista à Agência Brasil,
o coordenador do grupo Móvel disse que as irregularidades que
mais chamaram a atenção foram as condições
em que eram servidas a comida e a água. “ Tinha muita gente
doente, com diarréia e náuseas, por exemplo, devido à
comida estragada e à água ruim", destacou
Célio.
De acordo com a nota da Pagrisa, a alimentação
era servida em refeitórios “por empresa especializada e
reconhecida no mercado”. A água “também oferecia
qualidade” e era distribuída aos trabalhadores em garrafas
térmicas, que eram reabastecidas uma vez ao dia, totalizando
dez litros por pessoa.
Os trabalhadores, no entanto, não
eram alojados em condições ideais, reconhece a Pagrisa.
“A questão acima da demanda em parte dos alojamentos foi uma
situação temporária, que se deveu exclusivamente
à quebra do gerador de energia elétrica que abastecia
um dos agrupamentos”, diz a nota acrescentando que a situação
foi resolvida.
A Secretaria de Fazenda do Pará informou
que a Pagrisa é a única produtora de álcool
combustível do estado e é responsável pelo
abastecimento do mercado interno. A empresa também produz
açúcar.
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