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Brasília - Senadores brasileiros de diferentes tonalidades políticas reagiram hoje ao ultimato dado ontem pelo presidente da Venezuela, Hugo
Chávez. Ele disse que, se, em três meses, os Congressos do Brasil e do Paraguai não aprovarem o pedido venezuelano de ingresso no Mercosul, irá desistir da integração ao bloco.
O presidente da
Comissão de Relações Exteriores (CRE), Heráclito Fortes
(DEM-PI), diz que o episódio não pode afetar a análise que será feita sobre o pedido. "A Venezuela merece mais respeito do que um fato
isolado que envolve um presidente eventual", disse. Para ele, os venezuelanos são parceiros históricos.
O parlamentar diz que Chávez tem dois grandes desafios para
ter o seu país como membro efetivo do Mercosul: ajustar a
economia da Venezuela à uniformidade tarifária do Mercosul e
assumir o compromisso com as questões democráticas
exigidas.
Francisco Dornelles (PP-RJ) ressalta a necessidade de uma postura pragmática, devido ao grande volume de negócios bilaterais. "Política é
fato, e o fato é que as relações comerciais com a
Venezuela estão tendo um aumento gigantesco", diz ele. O senador
fluminense lembra que empresas brasileiras aumentaram seus
investimentos no país vizinho, e isso precisa ser levado em
conta. "O que o Chávez fala ou deixa de falar é
irrelevante."
Inácio
Arruda (PCdoB-CE) tem visão semelhante. Ele
entende que a resposta do parlamento tem de ser analisada sob uma
ótica de Estado. "Interessa
ao Brasil o ingresso da Venezuela no Mercosul. Não vamos
tratar essa história como uma criancinha que reage porque foi
criticada."
Outros senadores, por sua vez, vêem na postura de Chávez uma tendência a interferir em assuntos internos dos vizinhos. Para Fernando Collor (PTB-AL), Chávez adotou uma política de buscar "hegemonia" do
seu país sobre os parceiros da América do Sul.
Collor diz que
o presidente da Venezuela vem disseminando um sentimento
"anti-brasileiro" entre os países vizinhos e citou,
especificamente, Bolívia, Equador e Paraguai. "O Chávez
precisa ser domesticado. Ou seja, tem que aprender a conviver com a
regra democrática."
O ex-presidente
acrescenta que, mesmo sem os problemas causados pelos
pronunciamentos de Hugo Chávez, o Mercosul passa por um
momento delicado. Para ele, no momento, o bloco "precisa
se costurar por dentro, e este não é o momento de
ingresso da Venezuela ou de qualquer outro país".
O líder do PSDB,
Arthur Virgílio (AM), diz que os tucanos farão
uma "obstrução feroz" na Câmara dos
Deputados, na Comissão de Relações Exteriores do
Senado e no próprio plenário da Casa para que o protocolo de
adesão da Venezuela ao Mercosul não seja votado até
setembro deste ano.
O senador Jefferson
Pérez (PDT-AM), compartilha do mesmo sentimento do tucano.
"Não se dá ultimato ao parlamento brasileiro. Não
votar o protocolo de adesão é a única resposta
que ele merece."
No mês passado, Chávez entrou em atrito com o Senado brasileiro,
ao dizer que os parlamentares da direita aqui se comportavam como
"papagaios" dos Estados Unidos, criticando a decisão venezuelana de não
renovar a concessão da emissora RCTV. A adesão da Venezuela ao Mercosul
tem que ser avaliada pelo Senado, justamente, e alguns parlamentares
ameaçam vetá-la, sob a justificativa de que o país não está cumprindo a
chamada "cláusula democrática" do Mercosul (ou seja, um termo dos
acordos regionais que exige que todos os países envolvidos mantenham um
regime político democrático).
Chávez, ontem, também fez
declarações consideradas uma resposta ao chanceler brasileiro, Celso
Amorim, que, nos últimos dias, disse que seria positivo que o
venezuelano tivesse um "gesto de simpatia" em relação ao Congresso
brasileiro.
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