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4 de Julho de 2007 - 18h56 - Última modificação em 4 de Julho de 2007 - 18h56


Senadores dividem-se entre indiferença e indignação na reação a ultimato de Chávez

Marcos Chagas
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - Senadores brasileiros de diferentes tonalidades políticas reagiram hoje ao ultimato dado ontem pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Ele disse que, se, em três meses, os Congressos do Brasil e do Paraguai não aprovarem o pedido venezuelano de ingresso no Mercosul, irá desistir da integração ao bloco.

O presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE), Heráclito Fortes (DEM-PI), diz que o episódio não pode afetar a análise que será feita sobre o pedido. "A Venezuela merece mais respeito do que um fato isolado que envolve um presidente eventual", disse. Para ele, os venezuelanos são parceiros históricos.

O parlamentar diz que Chávez tem dois grandes desafios para ter o seu país como membro efetivo do Mercosul: ajustar a economia da Venezuela à uniformidade tarifária do Mercosul e assumir o compromisso com as questões democráticas exigidas.

Francisco Dornelles (PP-RJ) ressalta a necessidade de uma postura pragmática, devido ao grande volume de negócios bilaterais. "Política é fato, e o fato é que as relações comerciais com a Venezuela estão tendo um aumento gigantesco", diz ele. O senador fluminense lembra que empresas brasileiras aumentaram seus investimentos no país vizinho, e isso precisa ser levado em conta. "O que o Chávez fala ou deixa de falar é irrelevante."

Inácio Arruda (PCdoB-CE) tem visão semelhante. Ele entende que a resposta do parlamento tem de ser analisada sob uma ótica de Estado. "Interessa ao Brasil o ingresso da Venezuela no Mercosul. Não vamos tratar essa história como uma criancinha que reage porque foi criticada."

Outros senadores, por sua vez, vêem na postura de Chávez uma tendência a interferir em assuntos internos dos vizinhos. Para Fernando Collor (PTB-AL), Chávez adotou uma política de buscar "hegemonia" do seu país sobre os parceiros da América do Sul.

Collor diz que o presidente da Venezuela vem disseminando um sentimento "anti-brasileiro" entre os países vizinhos e citou, especificamente, Bolívia, Equador e Paraguai. "O Chávez precisa ser domesticado. Ou seja, tem que aprender a conviver com a regra democrática."

O ex-presidente acrescenta que, mesmo sem os problemas causados pelos pronunciamentos de Hugo Chávez, o Mercosul passa por um momento delicado. Para ele, no momento, o bloco "precisa se costurar por dentro, e este não é o momento de ingresso da Venezuela ou de qualquer outro país".

O líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), diz que os tucanos farão uma "obstrução feroz" na Câmara dos Deputados, na Comissão de Relações Exteriores do Senado e no próprio plenário da Casa para que o protocolo de adesão da Venezuela ao Mercosul não seja votado até setembro deste ano.

O senador Jefferson Pérez (PDT-AM), compartilha do mesmo sentimento do tucano. "Não se dá ultimato ao parlamento brasileiro. Não votar o protocolo de adesão é a única resposta que ele merece."

No mês passado, Chávez entrou em atrito com o Senado brasileiro, ao dizer que os parlamentares da direita aqui se comportavam como "papagaios" dos Estados Unidos, criticando a decisão venezuelana de não renovar a concessão da emissora RCTV. A adesão da Venezuela ao Mercosul tem que ser avaliada pelo Senado, justamente, e alguns parlamentares ameaçam vetá-la, sob a justificativa de que o país não está cumprindo a chamada "cláusula democrática" do Mercosul (ou seja, um termo dos acordos regionais que exige que todos os países envolvidos mantenham um regime político democrático).

Chávez, ontem, também fez declarações consideradas uma resposta ao chanceler brasileiro, Celso Amorim, que, nos últimos dias, disse que seria positivo que o venezuelano tivesse um "gesto de simpatia" em relação ao Congresso brasileiro.



 


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