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Rio de Janeiro - Considerado o maior centro comercial a céu aberto da América Latina, a Rua da Alfândega e suas adjacências não deve ter um aumento significativo nas vendas durante os Jogos Pan-Americanos. Os comerciantes da Sociedade de Amigos e Adjacências da Rua da Alfândega (Saara) reclamam das restrições impostas para a produção e distribuição de artigos relacionados aos jogos.
De acordo com eles, as autorizações dadas pela prefeitura da cidade e pelo Comitê Organizador dos Jogos Pan-Americanos restringiram a produção a empresas de grande porte, que não distribuem os produtos para pequenos comerciantes.
"Não temos nenhum artigo concernente ao Pan. O que nós temos é artigo referente à Pátria. São bandeiras, chapéus, bolas, chaveiros, mas tudo concernente à Pátria porque a prefeitura não deu o direito de ninguém fazer nada aqui pela Saara”, afirma o presidente da Saara, Ênio Bittencourt.
Segundo ele, um comerciante da associação que fez camisas alusivas ao Pan teve a sua mercadoria apreendida. “Ninguém veio vender para os lojistas mercadoria alusiva aos jogos para revenda. Está tudo nas mãos de uma firma. A informação que eu tive é que essa firma pagou à prefeitura e ficou com o monopólio de tudo.”
Para a Saara, comercialmente, o Pan será um fracasso. "A única vantagem que nós vamos ter é que os turistas vão passar pela região”, avalia o presidente da sociedade. A Rua da Alfândega e suas adjacências foram incluídas pela prefeitura nos roteiros turísticos do Pan. As 11 ruas do centro comercial abrigam 1,2 mil lojas.
A sociedade de comerciantes locais obteve autorização apenas para enfeitar as ruas com faixas de propaganda do Pan. A Saara foi criada em 1962 pelos comerciantes de uma das regiões comerciais mais antigas da cidade do Rio de Janeiro e passou a identificar todo o trecho da capital circundado pelas ruas dos Andradas, Buenos Aires, Alfândega e Praça da República. O presidente do Conselho de Varejo da Associação Comercial do Rio de Janeiro, Daniel Plá, acredita que a Saara ainda não entrou "no clima" do Pan porque “existe um cuidado muito grande em relação aos produtos da marca dos jogos". "Esses produtos estão extremamente raros e controlados”, diz Plá. Ele reconhece que, em função da licitação realizada pela prefeitura carioca, os produtos da marca do Pan se tornaram monopólio de poucas empresas. “Ou seja, o varejo não está se beneficiando no sentido de vender os produtos dos Jogos Pan-Americanos porque praticamente você não encontra esses artigos.” A Prefeitura do Rio e o governo do estado farão, durante os jogos, um trabalho conjunto para coibir o comércio ilegal, principalmente em bancas de vendedores ambulantes. Antes mesmo de ser lançado no comércio formal, o
bonequinho Cauê, mascote do Pan, chegou a ser oferecido em algumas
bancas da cidade.
A
assessora de Marketing do Comitê Organizador dos Jogos
Pan-Americanos (Co-Rio), Adriana Vallim, diz que o comitê não tem poder de polícia para fiscalizar e apreender
mercadorias. Sua atuação se restringe a comunicar à área de segurança
do estado a ocorrência de vendas ilegais de produtos com a marca do
Pan a partir de denúncias recebidas dessa prática.
“Se
o Co-Rio vir alguma prática de comércio ilegal ou for comunicado sobre
isso, ele vai informar às autoridades competentes”, afirma a assessora. Segundo ela, a marca Rio 2007 é uma propriedade do Co-Rio é só quem
pode se associar a ela são as empresas que licenciaram a marca para
fabricar produtos ou os patrocinadores, que têm esse direito.
Até
o momento, cerca de 36 empresas licenciaram a marca, totalizando em
torno de 700 produtos alusivos ao Pan. A expectativa para o varejo é de faturamento da ordem de R$ 100
milhões, pelos cálculos do Comitê Organizador dos Jogos
Pan-Americanos. O Co-Rio espera arrecadar R$ 10 milhões com o licenciamento dos
produtos. O licenciamento ainda está disponível no comitê.
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