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4 de Julho de 2007 - 18h04 - Última modificação em 4 de Julho de 2007 - 18h08


Bóia-fria morto não estava em horário de trabalho e teve assistência, afirma empresa

Aline Bravim e Daniel Merli
Da Agência Brasil

 
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Brasília - A Usina Agreste garante ter oferecido assistência médica a José Dionísio de Souza, bóia-fria morto no último dia 20 de junho, em Espírito Santo do Turvo, região de Ribeirão Preto, noroeste paulista. Segundo levantamento da Pastoral do Migrante de Guariba, ele teria sido o terceiro bóia-fria a morrer este ano em seu local de trabalho.

A empresa nega que José Dionísio estivesse em seu local de trabalho e sim de folga por licença médica, segundo Suane Sandra Pinto, assistente social que trabalha na usina. Segundo ela, Dionísio havia apresentado sinais de gripe e teria sido levado duas vezes ao hospital. Mas não teria tomado os medicamentos. Um dia antes de seu falecimento, Dionísio teria sido atendido por uma médica da empresa. No dia seguinte, faleceu em sua casa. Segundo Suane, a causa de morte foi broncopneumonia. A usina diz ter pedido à família os documentos do trabalhador, para oferecer seguro.

A assistente social da empresa afirmou que a empresa tentou implementar, no ano passado, um horário de descanso durante o almoço. Mas, segundo Suane, a proposta não foi seguida pelos bóias-frias, que preferiam trabalhar.

O pagamento por produção estimula o trabalho exaustivo, na opinião de Candida da Costa, relatora de direito ao trabalho do livro Relatório Nacional de Direitos Humanos, Econômicos, Sociais e Culturais. A autoria apresentou ao Ministro do Trabalho a proposta de criação de um piso salarial para a categoria.

Os casos de morte de bóias-frias na região de Ribeirão Preto foram investigados pelo relatório no ano passado. "Os trabalhadores não têm água potável, equipamentos de primeiros socorros, ambulância. Eles freqüentemente desmaiam e têm desidratação. Moram em alojamentos precários sem nenhum tipo de condições habitáveis", avaliou Candida da Costa, relatora de direito ao trabalho, à época da publicação.

Na época, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, prometeu endurecer a fiscalização sobre o trabalho dos bóias-frias. “É como um trabalho escravo: sem regulamentação, não é regido pelo salário mínimo, não tem condições mínimas para a pessoa trabalhar", disse o ministro. "Nós vamos intensificar o trabalho de fiscalização e fazer uma operação especial nesta área denunciada [Ribeirão Preto]".

 


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