Após chegarem a um acordo prévio com a direção da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), funcionários da estatal decidiram suspender a greve que realizariam nesta quarta-feira (11). O acordo negociado hoje (9) pelos dirigentes do Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina) e da empresa ainda tem de ser aprovado pela categoria.

“Faremos uma nova assembléia nesta sexta-feira (13) e, até lá, o nosso movimento está suspenso. Não haverá nenhum tipo de paralisação enquanto a categoria não avaliar a proposta apresentada”, garantiu o presidente do sindicato, José Gomes de Alencar Sobrinho.

Além de um reajuste salarial de 6%, o acordo prevê que cada tíquete-refeição suba dos atuais R$ 20 para R$ 22. A estatal também se comprometeu a contratar 1.800 funcionários, a fim de fortalecer o atendimento nos aeroportos, e a apresentar um novo plano de cargos e salários em até 120 dias. Também ficou acertada a concessão de duas promoções para todos os trabalhadores, o que significa um aumento de mais 6,5% nos ganhos.

A negociação já se alongava desde março. Por esta razão, Alencar rejeita as acusações de que a categoria teria aproveitado a proximidade dos Jogos Pan-Americanos para pressionar o governo. “Não aceitamos a acusação de que tenhamos chantageado [o governo] porque a última proposta apresentada não atendia [as expectativas da] a categoria e só foi apresentada há uma semana”.

Embora considere que a proposta ainda não atende aos anseios dos aeroportuários, Alencar entende que já houve um grande avanço nas negociações. Inicialmente, os trabalhadores pediam 33,76% de reajuste. “Se a categoria rejeitar, voltaremos à mesa de negociação. A Infraero será imediatamente informada e somente se não houver entendimento iremos encaminhar a questão”.

O presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, classificou a proposta da empresa como “bastante razoável”. Mesmo que os funcionários tenham recebido 32,5% de reajuste nos últimos quatro anos, Pereira defende que as perdas que a categoria teve com antigos planos econômicos ainda tem de ser repostas. “A Infraero não depende fundamentalmente de receitas do Tesouro. Até mesmo porque geramos recursos próprios. Nossos funcionários geram recursos e precisam ser recompensados por isso”.

A proposta do governo discutida na reunião, segundo o presidente da Infraero, não tem nada a ver com o caos aéreo. Pereira explicou que foi autorizado pelo ministro da Defesa, Waldir Pires, a conduzir a negociação da forma a beneficiar tanto a empresa quanto os funcionários.