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Brasília - As
mudanças climáticas serão questão
prioritária para o Brasil nos próximos meses, no âmbito
da Organização das Nações Unidas (ONU). O presidente Luiz Inácio Lula
da Silva foi convidado pelo secretário-geral da ONU, Ban
Ki-moon, para reunião sobre o tema no dia 24 de setembro, na véspera da reunião anual da Assembléia-Geral.
“O Brasil pretende não só apresentar a sua
posição, mas articular algumas posições
comuns com os países latino-americanos”, antecipou a nova
representante permanente do Brasil nas ONU,
embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti, que assumirá o cargo no dia 16.
Segundo a
embaixadora, é importante que países em
desenvolvimento, como o Brasil – que não são obrigados
pelo Protocolo de Kioto a cumprir metas específicas de redução
da emissão de gases de efeito estufa – continuem adotando
políticas específicas para reduzir essa emissão.
“No plano brasileiro, há a intenção
de se desenvolver um plano nacional que possa contemplar de uma forma
conjunta tudo o que viemos fazendo e eventualmente aprimorar essas
medidas que desenvolvemos na área de eficiência
energética, redução de desmatamento e fontes
renováveis de energia”, revelou, em entrevista coletiva.
Os países em
desenvolvimento pretendem defender, na ONU, que esses esforços
sejam estimulados por recursos financeiros e transferência de
tecnologia dos países desenvolvidos – os termos da proposta
devem ser articulados entre os países latino-americanos até
setembro.
Mas esse
não será o único tema da agenda do Brasil na
ONU. Viotti informou que a missão de paz no Haiti também
é prioridade: o país participa dessas
missões da ONU desde a primeira, em 1956, em Suez, e está em dez das atuais 18 no mundo. A maior delas é no Haiti, onde tem 1.200 militares e policiais, e está no comando
militar da Missão das Nações Unidas para a
Estabilização (Minustah), no país desde 2004, quando foi deposto o presidente Jean-Bertrand Aristide.
O mandato da missão vem sendo renovado
de forma contínua, desde então. O atual vencerá em
outubro e a embaixadora informou que já está sendo
negociada a renovação por pelo menos mais seis meses.
“A ONU trabalha com o horizonte temporal de quatro anos a partir da
eleição [do atual presidente haitiano, René
Préval, em fevereiro de 2006] para
que de fato a estabilização se preserve”, explicou.
Viotti destacou que se trata da primeira missão da ONU integrada
majoritariamente por países latino-americanos e que o Brasil tem
procurado atuar em constante articulação com os demais
países – entre eles Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia,
Peru e Guatemala. “Temos procurado estimular a visão de
missão integrada, que associa o componente da segurança
e da paz com o componente do desenvolvimento econômico e
social, através da promoção de projetos que
possam gerar emprego e renda”, disse.
O Brasil
também deve continuar defendendo, na ONU, ações
globais de combate à pobreza e à fome. “Um tema constante na
participação do Brasil nas Nações Unidas
é a promoção do desenvolvimento”, segundo a embaixadora, para quem "esse tema ficou um pouco de lado na agenda da ONU a
partir de 2001, quando priorizou o combate ao terrorismo, e o
presidente Lula tem se empenhado para restaurar a importância
do desenvolvimento e promover ações com outros países”.
A embaixadora informou ainda que o Brasil pretende manter as articulações sobre a ampliação do
Conselho de Segurança da ONU, com
Índia, Japão e Alemanha (G4), a fim de obter
um assento permanente. “É necessário
impulsionar uma reforma que contemple países do Norte e do Sul
como membros permanentes. Esse tema permanece na agenda da ONU e será debatido no dia 19, na
Assembléia-Geral", explicou.
Maria
Luiza Viotti disse considerar a ampliação do Conselho
“um tema muito difícil”, embora veja condições de avançar: o assunto foi incluído na agenda
bilateral entre Brasil e Estados Unidos. Ela defendeu, porém,
o fim dos debates e o início de um processo negociador sobre a ampliação. “Até agora houve consultas e
debates que foram muito importantes, mas achamos que essa fase de
debates já se esgotou. É preciso que surjam propostas
mais concretas e que essas propostas dêem margem a um efetivo
processo negociador”, avaliou.
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