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Manaus - Durante discurso ontem (12) no Senado Federal, o
senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) denunciou o planejamento de uma
operação da Polícia Federal (PF) para retirar os
não-indígenas da Reserva Raposa Serra do Sol no norte
de Roraima. Em seu discurso, o senador disse ter recebido de um
policial federal um documento que revela dados do que seria uma
verdadeira "operação de guerra" contra os
arrozeiros, pequenos produtores e alguns pecuaristas que vivem no
local. A Polícia Federal negou que haja qualquer ação planejada.
Cavalcanti
não revelou o nome do autor da denúncia, mas relatou,
que, segundo o documento, "a Polícia Federal deverá
utilizar um efetivo de 500 homens, vindos de todas as capitais
brasileiras". "Vejam bem, é uma operação
de guerra, para a qual terão de deslocar policiais federais de
todo o País, para quê? Para combater o narcotráfico?
Para combater bandidos? Para combater alguma subversão da
ordem em Roraima? Não, para combater trabalhadores que estão
lá produzindo e gerando mais de 6.000 empregos diretos e
indiretos", disse.
O senador destacou também que o
documento estabelece cerca de 40 dias para a operação e
prevê a utilização de veículos do exército
para ocupação da área, infra-estrutura de
acampamento - como barracas, sacos de dormir, estrutura para banho,
sanitários e higiene pessoal - e ainda a disponibilização
de um posto de atendimento médico de emergência
local.
Apesar o discurso, o superintendente da Polícia
Federal em Roraima, Cláudio Lima de Souza, não confirma
a informação e diz que na próxima segunda (16)
iniciará um inquérito policial para investigar a
questão no órgão federal. Ele garantiu que não
existe nenhum planejamento sobre a suposta operação,
mas que a polícia federal pode entrar em ação,
se houver uma ordem legal da presidência da república,
por exemplo.
"Desconheço essa informação.
Já mandei instaurar um inquérito policial para apurar a
veracidade dessa informação e descobrir que policial
federal que tem esse conhecimento e não passou isso para mim.
Se o nosso diretor-geral, o Ministério da Justiça ou o
presidente da República determinar a ação da
Polícia Federal, vamos entrar em ação, mas neste
momento não há nenhum de nossos homens no local para
retirar ninguém". atesta Souza.
A reserva indígena
Raposa Serra do Sol foi homologada pelo governo federal em 2005. Além
dos mais de 18 mil indígenas das etnias Macuxi, Wapixana,
Ingarikó, Taurepang e Patamona, o local abriga produtores
rurais, pecuaristas e até usinas de arroz. Os confrontos
começaram há dois anos, quando a homologação
da terra indígena determinou a saída dos moradores
não-indios. De acordo com a Associação dos
Arrozeiros de Roraima, a produção de arroz na reserva
Raposa Serra do Sol é responsável por 25% do PIB
estadual e emprega pelo menos oito mil pessoas direta e
indiretamente. Contudo, a homologação dá direito
aos índios ao território.
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