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São Paulo - Na avaliação
do procurador de Justiça, Paulo Afonso Garrido de Paula, o
principal desrespeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente
(ECA), que hoje (13) completa 17 anos, se refere à maneira
como são tratados os adolescentes que cometeram crimes e o
cumprimento das medidas sócio-educativas. “O ECA estabelece
um período máximo de 3 anos de internação
e nesse período o adolescente deve estar inserido em um
projeto pedagógico capaz de reverter o potencial criminoso
demonstrado pela pratica da infração”,
disse.
Entretanto, ele ressaltou que o ECA não tem sido
respeitado e o que se verifica na prática é que o
projeto pedagógico de qualidade não ocorre com
freqüência nas unidades de internação. “Às
vezes reproduz a violência social e na maioria das vezes o
adolescente sai das unidades de internação com
potencial agressivo até mais desenvolvido”. Para melhorar
essa situação ele acredita que é preciso
disciplinar a responsabilidade dos gestores das políticas de
internação para que as atribuições de
cada um fique clara.
“A questão da criança e
adolescente é também uma questão cultural, e lei
nenhuma vai dar o substrato econômico e social que falta à
maioria da população brasileira e lei nenhuma consegue
amarrar de forma tão firme a atividade dos executores dessa
política. Na maioria das vezes falta investimento mais efetivo
e maciço do poder executores no cumprimento dessas medidas de
internação, liberdade assistida e colocação
em casas de semi-liberdade”, disse.
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