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São Paulo - No dia em que
o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) completa 17 anos,
o coordenador do Programa de Orientação e Apoio à
Dependentes Químicos (Proad), Marcelo Niel Teixeira, avalia
que é preciso dar mais atenção às
crianças e adolescentes filhos de pais usuários ou
dependentes. Segundo ele, esse esforço contempla o artigo 19
do ECA, que diz que “toda criança ou adolescente tem direito
a ser criado e educado no seio da sua família e,
excepcionalmente, em família substituta, assegurada a
convivência familiar e comunitária, em ambiente livre da
presença de pessoas dependentes de substâncias
entorpecentes”.
Segundo ele, os filhos de usuários ou
dependentes químicos sofrem maior risco de se envolverem com
as drogas ou álcool, seja geneticamente ou socialmente. “É
difícil evitar que as crianças ou adolescentes não
tenham contato, porque não podemos tirar as crianças
dos pais. Em casos mais graves os pais até perdem a guarda e
as crianças vão para abrigos, mas no Brasil nós
temos uma situação muito complicada, porque os abrigos
infantis não têm estrutura adequada”, disse.
Teixeira
disse ainda que é preciso também assumir de forma
efetiva que há crianças e adolescentes que usam drogas
e a partir daí melhorar a rede de apoio tanto a esse grupo
quanto aos filhos de usuários ou dependentes para acesso e
tratamento. “O importante, e que já acontece nos outros
países, é oferecer um ambiente de tratamento com
suporte psicoterápico, pedagógico e avaliação
psiquiátrica, para que as crianças cresçam com
suporte melhor. É preciso enfatizar a orientação
para essas pessoas”, diz.
O coordenador do Proad participa hoje (13) de um
debate sobre o 17º ano de existência do Estatuto da
Criança e do Adolescente (ECA), junto com entidades de
direitos humanos, sociedade civil e sindicatos. O debate é a
última etapa da Jornada Cidadã, que ocorre em diversas
regiões do país e países da América
Latina e Caribe para denunciar e propor formas de combater os
problemas da juventude.
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