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Brasília - Quando o adolescente Fabrício, morador de
Planaltina de Goiás, era apenas um bebê, surgia no
Brasil uma nova lei que enxergou os menores de 18 anos como sujeitos
de direito, ou seja, pessoas que devem ser protegidas pelo Estado até
chegarem à fase adulta. Há exatamente 17 anos, nascia o
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Mas a história de Fabrício
mostra que, apesar de ser uma lei moderna, o ECA ainda não é
totalmente cumprido. O adolescente, que sonha em ser bombeiro, diz
que teve sua caixa de engraxate queimada por policiais que o
abordaram no meio da rua. Ele está aguardando a ajuda de
entidades sociais para voltar a trabalhar. Fabrício é
jovem, negro e pobre, como muitos outros jovens que vivem nas ruas.
“A gente é discriminado nas
ruas pelos policias, eles queimaram minha caixa de engraxar, e aí
eu tô sem caixa de engraxar para trabalhar, e eles estão
arrumando um projeto dos engraxates para mim trabalhar”, afirma.
O governo federal reconhece que
o ECA precisa de mudanças e já está
providenciando alterações no cumprimento do estatuto.
Nesta quinta-feira (12), por exemplo, o presidente Lula enviou ao
Congresso Nacional um projeto de lei que melhora o atendimento aos
adolescentes que desrespeitaram alguma lei. Também foi
aprovado, no ano passado, o Plano Nacional de Convivência
Familiar e Comunitária, que trabalha para fortalecer as
famílias e evitar que muitos jovens continuem morando nas ruas
e em abrigos.
A presidente do Conselho Nacional
dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), Carmen
Oliveira, afirmou hoje (13) que em agosto o presidente Lula vai
anunciar uma série de medidas em benefício da criança
e do adolescente como parte de um conjunto de iniciativas na área
social, o PAC Social. "Nós temos trabalhado
fortemente, é um grupo de trabalho com cinco ministérios,
mas que diz respeito à várias outras áreas e
governo, e que vai ter como foco o enfrentamento das crianças
e adolescentes em situação de violência",
explica Carmen.
As medidas vão tentar, entre
outras coisas, eliminar o trabalho infantil, que ainda é
realidade para cerca de dois milhões de crianças e
adolescentes no Brasil, segundo o Conanda. Mas o Estatuto da Criança
e do Adolescente também comemora vitórias. Em 17 anos,
foram criados conselhos de direitos e tutelares, que zelam pelas
crianças e adolescentes, em cerca de 90% dos municípios
brasileiros.
As vitórias e desafios do ECA
vão voltar a ser discutidos durante a 7ª Conferência
Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, que
acontece em dezembro deste ano, em Brasília.
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