Wilson Dias/ABr
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Rio de Janeiro - Equipe da modalidade adestramento, que ganhou a medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos. Os atletas são Luiza Almeida, Renata Costa e Rogerio Clementino
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Rio de Janeiro - O domingo de
competições dos jogos Pan-Americanos começou
levando um esporte de elite ao subúrbio.
O Centro Nacional de
Hipismo, que fica na Vila Militar, em Deodoro, Zona Norte do Rio,
recebeu os competidores das provas de adestramento.
A modalidade, pouco
conhecida pela população, consiste em conduzir o animal para fazer coreografias em um picadeiro.
A
disputa reuniu um público que não ocupou metade do
centro hípico, mesmo sendo uma final em que a equipe
brasileira acabou por conquistar a medalha de bronze.
Em
Deodoro a movimentação nas ruas não foi grande,
mesmo se tratando de uma final. Em um bar com amigos, Ivan
Figueiredo, que mora no bairro há 69 anos, disse que embora o
hipismo seja um esporte de elite os moradores não estão
totalmente alheios à disputa.
"Todo mundo está
falando sobre isso". Ele revelou que gosta de hipismo por ter
servido ao Exército na divisão de cavalaria. Mesmo
assim, ele não foi assistir à disputa nem pretende ver
a prova de saltos.
Figueiredo acredita que se o Pan levasse
para Deodoro um esporte mais popular as ruas estariam mais
movimentadas. "O pessoal gosta mais de um futebol, né".
Para
José Luiz de Vasconcelos, a falta de divulgação
do esporte para o grande público é a causa da pequena
participação do público, ainda que o preço
cobrado, de R$ 10 a inteira, seja “acessível”. Ele mora
no Méier, subúrbio não muito próximo a
Deodoro, mas foi assistir à prova.
"É um
esporte seletivo e que não é muito divulgado para o
povo. Apesar de ser uma final o pessoal não é chegado
ao hipismo, deveria popularizar um pouco mais".
As provas
de salto, uma modalidade de equitação mais conhecida,
devem lotar o Centro Nacional de Hipismo. De acordo com a organização
do evento, as entradas para as provas previstas para os dias 26, 27 e
29 deste mês já foram todas vendidas.
"O adestramento
é pouco visado na mídia, o salto dá mais
visibilidade ao esporte. Acho que as pessoas agora vão
conhecer melhor o esporte", afirma Dimas Abbade, que foi
assistir ao jogo com a família.
Cleusa Maria Riter, que
mora em Deodoro, não pretende assistir a nenhuma das provas do
hipismo. Mesmo assim, ela disse que, se não fosse um esporte
tão caro, gostaria de praticar. "É muito caro
manter um cavalo, mas se tivesse chance, montaria".
Segundo
Valdemar Mattei, que treina atletas há 40 anos, as despesas
mínimas para manter um cavalo ficam em torno de R$ 1,5 mil por
mês. À medida que o atleta vai se profissionalizando,
esse valor se aproxima de R$ 4 mil.
São gastos com
alimentação, veterinário, estabulagem (local
para manter o animal), entre outros. "É muito caro para
chegar nesse nível de disputar o Pan-Americano. É
razoavelmente acessível para as pessoas que estão
começando nas escolas de equitação".
Com a conquista da
medalha de bronze pelos atletas Rogério Clementino, Renata
Costa e Luiza Almeida, o Brasil garante pela primeira vez vaga para
uma equipe de adestramento em Olimpíadas.
Para Valdemar Mattei,
a participação nos jogos olímpicos de Pequim, em
2008, pode ser a chance de popularizar o hipismo no Brasil. "Quando
tem campeões, a mídia apóia, divulga, e isso
acaba fazendo com que as pessoas se identifiquem com o esporte e se
apaixonem".