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Brasília - O Ministério do
Trabalho e Emprego analisa pedido para que abra processo
administrativo para apurar eventuais abusos cometidos pelo Grupo
Móvel de Combate ao Trabalho Escravo durante operação
no fim do mês passado que encontrou mais de 1,1 mil
trabalhadores em condições degradantes na empresa Pará
Pastoril Agrícola (Pagrisa), no município de
Ulianópolis (PA). O número de trabalhadores resgatados foi recorde.
De acordo com a assessoria de imprensa do ministério, o ministro Carlos Lupi informou durante uma reunião com parlamentares e representantes da Pagrisa, na quinta-feira passada (12), que vai esperar o resultado do relatório da fiscalização para tomar qualquer medida. O documento deve ficar pronto esta semana e, segundo a assessoria, já tem mais de cinco mil páginas.
Estiveram com Lupi,
além do presidente da Pagrisa, Marcos Villela Zancaner, e o
presidente da Federação de Indústrias do Pará,
José Conrado dos Santos, o senador Flexa Ribeiro
(PSDB-PA) e os deputados Giovanni Queiroz (PDT-PA) e Paulo Rocha
(PT-PA).
Flexa Ribeiro diz que
questiona o fato de a empresa haver sido multada por “trabalho
degradante”. “Fiz questão de conhecer a empresa, fui antes
do encontro ao local e constatei que em hipótese alguma se
configurava trabalho degradante”, diz ele. “O que queremos é
definir, e projetos nesse sentido já tramitam no congresso, o
que é trabalho degradante.”
O Brasil é signatário de diversas convenções internacionais que condenam o uso de trabalho escravo. Segundo o artigo 149 do Código Penal, é crime "reduzir alguém a condição análoga à de escravo,
quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a
condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção
em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto". “Jamais defenderíamos
uma empresa que submetesse seus colaboradores a trabalho degradante”,
defende o senador tucano. “No caso da Pagrisa, ela tem 1800
funcionários, transporte de ida e volta, fardamento completo,
atendimento clinico e odontológico, plano de saúde com
cobertura de 50% para quem quiser optar, alojamento com energia
elétrica, água encanada e saneamento, da forma como é
exigido pela resolução do Ministério do
Trabalho.”
Ainda segundo Flexa
Ribeiro, o ministro “tomou um susto” ao saber que acompanhava o
grupo móvel uma equipe de jornalistas da agência
norte-americana de notícias Reuters. “Isso de imediato foi
transmitido para todo o mundo como se a empresa explorasse o trabalho
degradante.”
Segundo o senador, uma
outra fiscalização conduzida pela Delegacia Regional do
Trabalho havia constatado irregularidades localizadas na Pagrisa, as
quais já haviam sido sanadas. “Antes da força tarefa
do ministério chegar lá pra essa inspeção,
a DRT do Pará já havia feito uma fiscalização
no início do ano”, conta o senador.
As irregularidades que,
segundo ele, já haviam sido sanadas, diziam respeito à
alimentação dos trabalhadores e o fornecimento de
energia elétrica para os alojamentos.
O presidente da Pagrisa, Marcos Villela Zancaner, disse que espera a abertura de uma sindicância o quanto antes. "A verdade está lá. Não tem como, em tempo recorde, alterarmos as coisas", diz ele, que questiona o fato de o ministério ter divulgado os resultados da fiscalização antes de finalizar os autos de infração e pensa até em "sabotagem". "Nós estávamos produzindo cana na Amazônia Legal quando achavam que isso não era possível", diz ele. "Chegamos até em pensar que a fiscalização pudesse esconder motivos muito maiores, como a concorrência desleal." Fazem parte do Grupo
Móvel de Combate ao Trabalho Escravo representantes do
Ministério do Trabalho e Emprego, do Ministério Público
do Trabalho e da Polícia Federal.
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