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Brasília - O aumento no preço do pão francês revela dificuldades brasileiras na produção
do grão. A avaliação é de especialistas e representantes da indústria de derivados de trigo, como a
farinha.
De acordo
com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o
Brasil consome, em média, 10
milhões de toneladas de trigo por ano, mas a produção
não chega a metade disso. Em 2006, com as secas
e geadas que afetaram estados produtores, a situação foi ainda pior. A safra foi menor que um quarto disso: 2,23 milhões
de toneladas.
Paraná,
Santa Catarina e Rio Grande do Sul são os principais
produtores do grão no Brasil. A Embrapa Trigo e outras
empresas de pesquisa estão investindo na produção em outros estados. “A expansão
para a região do Brasil central – Minas Gerais, Goiás
e Mato Grosso – seria positiva por aproximar os produtores do
mercado consumidor e facilitar a logística”, explica o
pesquisador da Embrapa Trigo, João Leonardo Pires.
Uma das
principais dificuldades da produção brasileira de
trigo, segundo Pires, está ligada aos problemas no transporte
dos grãos. “Por causa do
atrelamento ao transporte rodoviário, é mais barato
levar trigo de navio da Argentina para a região norte do
Brasil do que transportar trigo brasileiro de caminhão pelas
estradas”, afirma.
Para o pesquisador da Embrapa, faltam políticas públicas
para estimular a produção de trigo, considerada uma
cultura de alto risco, pelas variações no preço
e vulnerabilidade às mudanças climáticas.
A reivindicação é apoiada pelo presidente da
Associação Brasileira das Indústrias de Trigo (Abitrigo),
Samuel Hosken, para quem o Brasil tem condições
agrícolas e industriais para ser auto-suficiente em trigo. “A
indústria brasileira da moagem de trigo atualmente tem
capacidade ociosa de 36%, por exemplo. Temos espaço para crescer”, afirma.
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