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Pedro Biondi/ABr
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Aldeia Ipatse (Parque Indígena do Xingu) - Integrantes do Coletivo Kuikuro de Cinema registram a chegada de visitantes
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Aldeia Ipatse (Parque Indígena do Xingu) - “Sorria! Você
está sendo filmado” poderia ser a placa de boas-vindas da
principal aldeia dos Kuikuro. Cada um que desce do avião
monomotor é capturado por jovens pintados – ou melhor, pelas
lentes deles. Com urucum no cabelo e tinta de jenipapo no corpo, o
grupo de cineastas/jornalistas comunitários/produtores de
vídeo registra tudo o que acontece no fim de semana de festa.
Um dos integrantes do
Coletivo Kuikuro de Cinema, Maricá Kuikuro, 25 anos, confirma:
a intenção é mesmo fazer um espelho, colocar do
outro lado os turistas, fotógrafos, cinegrafistas e
jornalistas que desembarcam com sede de imagens e depoimentos. “A
gente faz já planejado, para pegar a pessoa desapercebida”,
diz. “O repórter [não-índio] vem,
pergunta a todos, desapercebidos. O pessoal pode gaguejar, não
saber responder.”
Enquanto a ala masculina ou a feminina, às
vezes ambas, apresentam-se nas danças do beija-flor, da
coruja, do martim-pescador ou do papagaio, a equipe com
entrevistador, câmera e sonoplasta registra tudo munida de
filmadoras, escadas para garantir os melhores ângulos e
microfones do tipo boom, que
vão na ponta de uma haste longa e evitam ruídos
indesejados. Grande parte dos registros culturais reunidos no recém-inaugurado Centro de Documentação Kuikuro foi gravada pelo coletivo de audiovisual. Eles também captam a movimentação da
imprensa na praça central da aldeia.
Até o cacique
visitante Kuiusi, dos Suyá, porta um gravador para registrar
os cantos e os sons das flautas e percussões, assim como o
chacoalho dos guizos metálicos nos tornozelos, que acompanham
a poeira vermelha levantada pelos pés descalços.
Pelo
coletivo dos jovens, Jairão (ou Mahajugi)
Kuikuro, 20 anos, leva uma prancheta com uma lista de
perguntas em português aos participantes. Em pleno afã
jornalístico, indaga às pessoas se elas têm medo
de que a cultura da etnia se esvaia. “A maioria responde que não”,
diz. Depois de uma breve entrevista, pede licença: “Eu
preciso trabalhar”.
Nas
produções kuikuro exibidas no último sábado
(21), os cineastas mesclam narrativas tradicionais, humor, ficção
e referências a pessoas da comunidade. Um
dos diretores, Maricá,
é filho do chefe Tabata.
Ele aparecia, pouco mais que um
bebê, na série Xingu – A Terra Mágica,
gravada em 1984, aprendendo a pescar com flecha. Na nova série
do jornalista Washington Novaes, que tem como subtítulo A
Terra Ameaçada, o jovem índio foi assistente de
câmera. O irmão de
Jairão, Takumã, dividiu com Maricá a
direção de Imbé Gikegü – Cheiro
de Pequi e Nguné
Elü – O Dia em que a Lua Menstruou.
O DVD com os dois
trabalhos, lançado no último domingo (22), resulta de parceria entre
a Vídeo nas Aldeias, a Associação Indígena
Kuikuro do Alto Xingu (Aikax) e o projeto Documenta Kuikuro. É
o primeiro da coleção Cineastas Indígenas.
Para as pessoas filmadas que
tinham esperança de que o material ficasse só no arquivo, informa
Maricá Kuikuro: os vídeos serão editados e
distribuídos para cada aldeia do Alto Xingu.
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