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Brasília - O presidente da Comissão de Representantes Permanentes do Mercosul, Chacho Alvarez, vê com bons olhos as tratativas para criação do Banco do Sul. Segundo ele, não há conflito de interesses no fato de a Argentina ter decidido intensificar sua participação na Corporação Andina de Fomento (CAF), outro órgão sul-americano de fomento, nem no fato de o banco não ter sido efetivado na última reunião de cúpula do Mercosul.
Nesta terceira parte da entrevista, Chacho fala também da criação de instituições para viabilizar a elaboração de políticas conjuntas de combate à pobreza e trabalho infantil, por exemplo.
Agência Brasil: Em outras passagens pelo Brasil, você mencionou alguns órgãos que estavam em processo de criação, como o Instituto Social do Mercosul... Chacho Alvarez: Já foi criado. E vamos a Nova York no dia 6 de agosto para pedir financiamento ao Pnud [Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento]. A idéia é avançar na dimensão social do Mercosul. Esse instituto deve reunir ministros de Desenvolvimento Social, Educação, Saúde e Meio Ambiente dos países para discutir políticas regionais que permitam falar seriamente sobre a dimensão social. O Mercosul tem pouca institucionalidade, poucos organismos supranacionais. Vamos poder elaborar políticas compartilhadas em diversos âmbitos, como combate à pobreza, ao trabalho infantil, pisos salariais...
ABr: E o Banco do Sul? Chacho: Avançou muito, porque o Uruguai se incorporou e no Brasil, o ministro [da Fazenda, Guido] Mantega teve uma postura muito digna de encampar a idéia. Claro que começou com Argentina e Venezuela, mas o Brasil se incorporou e o ministro assumiu o compromisso de fazer avançar a idéia. Nas últimas reuniões de ministros de Economia e de Relações Exteriores [Conselho do Mercado Comum], a idéia avançou.
ABr: Mas Lula já disse num primeiro momento ser preciso avaliar com cuidado para que serviria o banco. Chacho: Verdade, mas isso durou pouco. Em algum momento, o Brasil pensou que poderia se converter a CAF, a Corporação Andina de Fomento [num órgão que substituiria o Banco do Sul]. Mas quando a idéia tomou corpo, o Brasil se incorporou e deu muita força.
ABr: Sobre a CAF, o ministro do Planejamento da Argentina, Julio de Vido, informou esses dias que o país cogita a possibilidade de virar membro pleno. Isso é um sinal de que vê dificuldades no processo de criação do Banco do Sul? Chacho: Não, é outra instância de financiamento. O Brasil também é membro pleno.
ABr: Não, o Brasil é semipleno, assim como a Argentina [chamado acionista série C; os membros plenos são Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela]. Chacho: Não? Mas não vai aumentar o capital? Acho que Argentina e Brasil vão aumentar o capital para virarem membros plenos. A CAF dá acesso a crédito. Mas se houver um banco do Mercosul, uma ferramenta financeira para projetos produtivos, é bom.
ABr: E isso pode ocorrer paralelamente ao aumento de capital da CAF? O fato de o Banco do Sul não ter sido criado na última reunião de cúpula do Mercosul, como estava previsto, não tem a ver com isso [Chávez não participou do encontro em Assunção pois estava na Rússia em visita oficial]? Chacho: Não. A diferença é que na CAF, os países pedem empréstimos para empreendimentos nacionais. E o Banco do Sul vai financiar projetos regionais, de integração.
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