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Rio de Janeiro - O maratonista Frank Caldeira garantiu, com a medalha de ouro, mais um brilho na manhã nublada do último dia de competição dos Jogos Pan-Americanos. Alguns trechos da maratona, mais tradicional prova do atletismo, foram disputados debaixo de chuva.
Foi apenas depois do 35º dos 42 quilômetros percorridos pelas ruas do Rio de Janeiro que o mineiro Frank Caldeira ultrapassou o atleta da Guatemala Amado García e assumiu a liderança da prova. No atletismo desde os 12 anos, por influência de um irmão, o mineiro de Sete Lagoas obteve bons resultados também nos 10.000 metros. A maratona do Pan foi a quinta da carreira de Frank. Ele conta que ir para a corrida de rua foi o caminho que encontrou para viver do esporte.
“A explicação que tem por que saí para a maratona é uma situação financeira. Hoje, vivo do atletismo, abandonei os estudos e pretendo voltar, mas, para que eu possa compensar isso tudo em um tempo curto, tenho que sobreviver. Ficar na pista nos 5.000 metros, nos 10.000 metros, é complicado”, disse ele.
Segundo Frank, as corridas de rua dão mais visibilidade ao atleta e, assim, fica mais fácil atrair patrocínio. “Todo atleta tem que sair para a rua por causa do patrocínio. A prova de rua tem uma visão maior, tem transmissão ao vivo. Então, o patrocinador vai querer apoiar mais por esse motivo”, explicou. Para o chefe de equipe da modalidade, Carlos Lancetta, a maratona é uma das modalidades mais acessíveis do atletismo. “Para o praticante, é uma modalidade barata, qualquer pessoa pode fazer. Existe uma igualdade social: tanto faz o rico quanto o pobre, ambos correm em igualdade de condições, diferente de alguns desportos.” Essa característica faz do atletismo um esporte potencial para a inclusão social, afirmou Lancetta. “A verdadeira inclusão social se faz pelos projetos sociais que são feitos no atletismo”.
Lancetta ressaltou, entretanto, que, quando o esporte atinge o nível de competições como a pan-americana, é preciso ter recursos. “Quando se fala do alto nível da maratona, aí é preciso ter, verdadeiramente, recursos de um patrocinador para que esse praticante de camada humilde tenha oportunidade de se preparar de forma adequada para conseguir o alto rendimento”.
Outro grande concorrente de Frank Caldeia na maratona de hoje (29) era o brasileiro Vanderlei Cordeiro, que, na Olimpíada de 2004, na Grécia, foi agarrado por um expectador quando liderava a maratona. Mesmo assim, Vanderlei terminou a prova em terceiro lugar e ficou com a medalha de bronze. Hoje, no entanto, depois de correr cerca de 39 quilômetros, Vanderlei sentiu cãimbra e abandonou a prova. Nem o frio, nem a chuva que caiu em alguns trechos da maratona desanimaram a torcida, que aplaudiu até mesmo os atletas dos outros países, diferentemente do que ocorreu nas demais provas de atletismo disputadas no Estádio João Havelange, quando os estrangeiros eram vaiados. O público só não pôde ver a entrega de medalhas depois da prova, porque isso vai ser feito durante a festa de encerramento dos jogos, no fim da tarde de hoje, no Maracanã.
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