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Brasília - Apresentador: Bom dia, você, em todo o Brasil, começa agora o programa de rádio do presidente Lula. Tudo bem presidente? Presidente: Tudo bem, Luiz.
Apresentador: Presidente, o senhor anunciou, na última
sexta-feira (3), mais recursos para obras de saneamento e urbanização
de favelas. Isso é dinheiro do PAC, o Programa de Aceleração do
Crescimento, destinado a obras que podem ajudar a melhorar as condições
de vida nas cidades. Quase todos os estados já foram contemplados, não é
isso presidente?
Presidente: Luiz, o Brasil inteiro vai ser atendido
e é importante que a gente ressalte que é a maior política de
investimento em saneamento básico da história deste país. Aliás, é
importante afirmar, Luiz, que poucas vezes, no Brasil, houve políticos
que gostavam de fazer obras de saneamento básico.
Apresentador: Por que isso, presidente?
Presidente: Porque você, para fazer saneamento
básico, tem que cavar um buraco, enfiar o tubo e tapar o buraco. Ou
seja, significa que é uma obra que você não pode colocar uma placa,
você não pode colocar o nome de um parente, ou seja, e isso, muitas
vezes, na cabeça de muitos políticos brasileiros não dá voto. Quando,
na verdade, o troféu que a gente tem que ter como resultado de uma
forte política de saneamento básico não é uma placa com o nome de um
parente, mas é uma criança saudável brincando na rua, sem esgoto a céu
aberto. É uma criança sem verminose, é uma criança sem doenças
adquiridas por falta de tratamento de água e de esgotamento sanitário.
É isso que nós estamos fazendo. Luiz, é importante lembrar: nós vamos investir R$ 504 bihões, dos quais R$ 106 bilhões serão aplicados em
habitação e R$ 40 bilhões em saneamento básico. Nós, até este instante,
já fizemos e esta é outra novidade importante que o povo tem que saber,
é que nós apenas não decretamos que tinha dinheiro. Ou seja, nós
chamamos os governadores, chamamos os prefeitos de 375 cidades, 27
governadores, faltam apenas dois governadores na verdade, Paraná e Rio
Grande do Sul, que eu vou visitar quando voltar da viagem pela América
Central, e esses prefeitos e esses governadores assinaram um protocolo
com o governo. Um protocolo vendo qual era a obra que ia ser feita e
nós demos prioridade para regiões metropolitanas dos grandes centros
urbanos brasileiros porque é lá que está o maior problema de degradação
da moradia, degradação da estrutura familiar, violência, crime,
narcotráfico, ou seja, quando nós chegarmos com urbanização de uma
favela, o saneamento básico, junto vai chegar uma escola, junto vai
chegar uma área de lazer, junto vai chegar um ponto de cultura, junto
vai chegar, sabe, uma melhoria na segurança pública naquele bairro. E a
novidade é o compromisso dos governadores. Uma parte do dinheiro, os
governadores que tem capacidade de endividamento fizeram dívida, a
outra parte é dinheiro do orçamento da União. E o que é importante é
que, além de reativar a construção civil, além de melhorar a qualidade
de vida do povo, vai gerar emprego. O nosso desejo, agora, é que essas
obras que foram anunciadas agora, até fevereiro elas estejam licitadas
e estejam gerando os empregos e a melhoria de vida que tanto nós
precisamos para o nosso Brasil.
Apresentador: Você está ouvindo o Café com o
Presidente e hoje falamos sobre o PAC, o Programa de Aceleração do
Crescimento. Os R$ 40 bilhões vão ser investidos até 2010, presidente. A
população vai começar a perceber essas obras a curto e médio prazo?
Presidente: Ela vai começar a perceber porque a vida
dela vai melhorar. Ou seja, ela vai ter uma rua mais limpa, ela vai ter
coleta de esgoto, ela vai ter água potável, ou seja, vão melhorar os
dentes das pessoas, vai melhorar a saúde das crianças, o que é mais
importante, vai diminuir a mortalidade infantil. Eu tenho ouvido dizer,
pela Organização Mundial da Saúde, pelo ministério, alguns falam: para
cada real aplicado em saneamento básico você economiza três [reais] na
saúde. Outros falam: para cada real, você economiza quatro ou cinco, ou
seja, eu acho que se economizar um já vale a pena a gente fazer, porque
significa que a saúde preventiva é importante porque fica mais barato
você evitar que a pessoa fique doente do que você cuidar da pessoa
depois que ela ficou doente.
Apresentador: Presidente, os municípios e estados
contemplados com essas obras serão escolhidos baseados em dados
técnicos ou o segmento partidário vai contar também? Presidente: Na verdade, o critério é eminentemente
técnico, ou seja, eu não quero saber se o prefeito é do PFL, do PT, do
PMDB, do PSDB, do PTB, do PR, do PCdoB. Eu quero saber se aquela
cidade tem as condições técnicas que permitem que este dinheiro seja
aplicado e se tem o processo de necessidade da população. Então, o
critério é um critério técnico. Ou seja, nós olhamos para a cara da
população, para as necessidades da população e aí, se tiver o problema,
recebe o dinheiro. Na semana, quando eu voltar desta viagem pela
América Central, nós vamos começar a anunciar as obras de
infra-estrutura no que diz respeito a estradas, às ferrovias, a
gasodutos, a tudo, a portos, a aeroportos, ou seja, tudo que tiver de
infra-estrutura na área de transportes nós vamos anunciar também e
começar a liberar o dinheiro para que as obras comecem a acontecer.
Algumas já estão em andamento, outras vão começar a andar agora, outras
ainda precisam de licenciamento. O dado concreto é que nós vamos fazer
deste país um verdadeiro canteiro de obra em se tratando de
infra-estrutura.
Apresentador: Certo, presidente. Obrigado e até semana que vem.
Presidente: Obrigado a você, Luiz, e até a próxima semana.
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