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7 de Agosto de 2007 - 13h55 - Última modificação em 7 de Agosto de 2007 - 13h55


Sociedade deveria decidir o futuro das instalações do Pan, acredita economista

Ana Luiza Zenker
Da Agência Brasil

 
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Wilson Dias/ABr
Rio de Janeiro - Vista do Estádio Municipal João Havelange, que já ficou conhecido como Engenhão, por sua localização no subúrbio de Engenho de Dentro, na zona norte do Rio. O estádio foi construído para os Jogos Pan-Americanos
Rio de Janeiro - Vista do Estádio Municipal João Havelange, que já ficou conhecido como Engenhão, por sua localização no subúrbio de Engenho de Dentro, na zona norte do Rio. O estádio foi construído para os Jogos Pan-Americanos
Brasília - Cerca de R$ 1,6 bilhão foi o valor que saiu dos cofres públicos para a construção ou reforma das instalações esportivas permanentes do Pan-Americano. Entre essas instalações estão o Estádio Olímpico Municipal João Havelange (Engenhão), a Cidade dos Esportes, o Complexo do Maracanã e o Complexo Esportivo de Deodoro. Depois dos jogos, algumas instalações serão licitadas e outras administradas em conjunto com confederações esportivas.

Para Luiz Mario Behnken, economista da organização não-governamental Fórum Popular do Orçamento e integrante do Fórum Social do Pan, uma forma de determinar o futuro dos equipamentos poderia ser decidido por um plebiscito. “Vamos perguntar isso pra população e vamos ver qual a destinação que seria dada por essa população que pagou imposto para construção daquilo e que por direito é dela”, afirmou Behnken, em entrevista à Agência Brasil. “Seria uma coisa muito interessante para a cidadania, um avanço”, disse.

O economista criticou a forma como o dinheiro público foi investido nas instalações do Pan, em particular na Vila Pan-Americana e no Engenhão, que durante 20 anos ficará sob a administração de uma empresa ligada ao clube de futebol Botafogo. A empresa ganhou a licitação na semana passada, com a proposta de pagar R$ 36 mil à Prefeitura do Rio de Janeiro por mês. Para Behnken, o projeto de construções e reformas para o Pan, “só está servindo para concentrar renda, a partir do momento em que o dinheiro público está sendo utilizado para possibilitar a alavancagem de negócios privados, cujos lucros serão privados, isso é uma maneira clássica de transferência de renda do mais pobre para o mais rico”.

Segundo Luiz Mario, desde quando foi criado, antes dos Jogos Pan-Americanos 2007, o Comitê Social do Pan acredita que “qualquer equipamento esportivo feito em nome do Pan com dinheiro público era para ser usado como legado para essa própria cidade, para sua população”. “Por que o Engenhão não pode servir de palco para jogos de todas as escolas públicas da cidade do Rio de Janeiro? Vamos botar a criançada para praticar esporte, atletismo, futebol, naquele estádio”, sugeriu.

A forma como a Vila Pan-Americana foi construída e recebeu investimentos do governo federal também é criticada por Behnken. "O dinheiro do trabalhador, do Fundo de Amaparo ao Trabalhador, serviu para a construção de mil e tantos apartamentos para atenuar os graves problemas habitacionais da cidade do Rio de Janeiro, carente de unidades habitacionais populares? De jeito nenhum. Está sendo destinado para uma classe média abastada e especulativa", afirma. Para o economista, a especulação imobiliária em torno da Vila cresceu e o empreendimento, que é privado, foi valorizado por causa dos investimentos públicos em urbanização no seu entorno.

"A urbanização feita pela prefeitura com parte do dinheiro federal também é uma forma de transferência de renda para a valorização imobiliária para uma classe já abastada, enquanto que se você atravessar a lagoa que circunda a Vila Pan-Americana e for em comunidades carentes que estão ali há mais de 50 anos, em urbanização não foi investido nada", diz. Além, disso, segundo Luiz Mario, a Vila recebeu propaganda das três esferas de governo (federal, estadual e municipal), sem custo nenhum para a Agenco, empresa responsável pela construção.


 


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