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8 de Agosto de 2007 - 18h49 - Última modificação em 8 de Agosto de 2007 - 18h50


Administradora de aeroporto paulista diz que acusações de lobby são "confusão tremenda"

Alessandra Bastos
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - Citada como um possível favorecido por lobby numa operação envolvendo terminais de cargas do Aeroporto de Ribeirão Preto (SP), a empresa Terminais Aduaneiros do Brasil (Tead) considera que a acusação foi uma “confusão tremenda”. A Tead é responsável pela administração do terminal de cargas do aeroporto Leite Lopes de Ribeirão Preto, desde 2003. A denúncia foi apresentada pelo ex-presidente da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), brigadeiro José Carlos Pereira, no dia de sua substituição à frente da estatal.

A acusação do brigadeiro, publicada pela imprensa, era de que a diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Denise Abreu, fazia “tráfico de influência” por ser “amiga” do proprietário da Tead, Carlos Enersto de Campos, e de tentar fazer com que a Anac patrocine a transferência do setor de cargas dos aeroportos de Congonhas (SP) e Viracopos (SP) para o aeroporto de Riberão Preto (SP). O brigadeiro estimou que a operação rederia US$ 400 milhões para a Tead por ano.

Por meio de nota, a Tead desmentiu que existisse relação entre o presidente e a diretora da Anac. “Carlos de Campos não mantém nenhum relacionamento de amizade ou profissional com Denise Abreu”, registra. O diretor-superintendente da empresa Terminais Aduaneiros do Brasil (Tead), Rubel Thomas, complementa que “não tem nenhum fundamento transferir toda a carga porque o aeroporto não tem infra-estrutura, não comportaria”. Segundo ele, a pista do terminal de cargas do aeroporto será aumentada de 35 metros para 45 metros, tamanho suficiente para suportar os aviões cargueiros Boeing 757 e 767. E que os planos são de três vôos semanais para Miami.

Atualmente, o Plano Diretor Aeroportuário, ainda não aprovado à Anac, prevê a construção de um terminal de cargas em Ribeirão Preto. O diretor superintendente da Tead explicou à Agência Brasil que, pelo plano, está prevista a construção de quatro módulos iguais. O primeiro terminal terá capacidade para receber 30 mil toneladas por ano. “No ano passado, só o aeroporto de Viracopos recebeu 218 mil toneladas. Como podemos querer transferir toda a carga deles para Ribeirão Preto e mais a de Congonhas? Não tem lógica. Nunca pensamos, nunca passou pela nossa cabeça”, questionou.

Ele destaca também que São Paulo “tem problemas de logística em Congonhas e que já chegaram a Viracopos. Mas cabe as autoridades decidir como vão fazer. Ele desmente também que o faturamento seria de R$ 400 milhões por ano. “Terá uma boa rentabilidade, mas não tem nada de R$ 400 milhões”. O diretor não informou qual a previsão de lucro da empresa. De acordo com a Tead, a construção do primeiro módulo custará a empresa R$ 15 milhões.

O Aeroporto de Ribeirão Preto é administrado pelo Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (Daesp), da secretaria de Transportes do estado de São Paulo, responsável por 31 aeroportos públicos no interior do estado. No entanto, o terminal de cargas de Ribeirão Preto é administrado e explorado pela empresa privada Tead, que venceu licitação em 2003 para a realização do serviço por 15 anos, renováveis por mais 15. Ele é o único terminal de cargas aeroportuárias de São Paulo a ter uma administração privada.

A Anac informa, por meio de nota, que “é impossível transferir operações de cargueiros para o Aeroporto de Ribeirão Preto, pois ele não detém infra-estrutura para esse tipo de operação”. No entanto, confirma que “estava previsto a construção de um terminal de carga no Aeroporto de Ribeirão Preto e necessidade de ampliação da pista para 3,5 mil metros para a viabilização da operação de cargueiros”.

Segundo a Anac, o Plano Diretor Aeroportuário foi encaminhado pelo Daesp para análise e aprovação da agência. E ressalta que ainda não foi aprovado. A Superintendência de Infra-Estrutura Aeroportuária da Agência se reuniu no dia 05 de junho deste ano para tratar da “configuração final do Aeroporto de Ribeirão Preto e as respectivas curvas de ruído de nível 1 e 2 e destacou a necessidade de adequação do Plano elaborado pelo Daesp, impondo limitações especialmente quanto a cargas e tipos de aeronaves cargueiras”.

Para sua implantação, “deverão ainda obedecer aos impactos de ruído”, como exigiu o Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema). O governo do estado de São Paulo, por intermédio do Daesp, já encaminhou a proposta de revisão do Plano Diretor do Aeroporto de Ribeirão que, após análise técnica, será submetida à Diretoria Colegiada da Anac para apreciação. A diretora da Anac Denise Abreu disse, em nota, que “não pretende discutir pela mídia as acusações caluniosas do ex-presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, demitido de suas funções nesta segunda-feira” e que “já constituiu advogado para tratar da questão nos tribunais competentes”.


 


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