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Díli (Timor Leste) - O ex-presidente e principal líder do Congresso
Nacional de Reconstrução de Timor Leste (CNRT), Xanana Gusmão, tomou
posse hoje (8) como primeiro-ministro do quarto governo
constitucional do país. Seu nome foi anunciado no início
da semana pelo presidente José Ramos Horta, provocando uma onda de
manifestações.
A cerimônia não teve a presença da situacionista Frente Revolucionária do Timor Leste
Independente (Fretilin), partido que venceu as eleições legislativas de
30 de junho sem maioria absoluta e não concorda com a nomeação. Após o
pleito, a CNRT e outras três legendas formaram a Aliança para Maioria
Parlamentar (AMP), cujos votos, somados, superam os da Fretilin.
Em um longo discurso de posse, Gusmão fez um apelo contra a violência.
"O povo tem vindo a provar que a política de intimidações e violência
não o desencoraja, no momento crucial de dar o sim ou o não, ao seu
próprio futuro." Para ele, "os resultados da eleição do
passado dia 30 de junho são absolutamente inequívocos, abrindo um novo
ciclo na vida política do país".
Nenhum dirigente da Fretilin compareceu à posse do novo governo, uma
ausência que vários membros da AMP consideram "lamentável" e "triste". Durante a cerimônia, houve manifestação contra a formação do novo Executivo em
frente ao palácio do governo, no centro da cidade.
O novo premiê estabeleceu as prioridades de seu mandato no discurso e
defendeu "uma transformação radical do Estado, que denuncie o
partidarismo existente na administração pública". Outra proposta é a aplicação de "um novo sistema fiscal" similar ao já proposto pelo presidente Ramos Horta.
O presidente José Ramos Horta
convidou oficialmente Xanana
Gusmão na segunda-feira. , que atualmente preside o partido oposicionista Congresso
Nacional da Reconstrução de Timor Leste (CNRT), para formar o novo
governo. A posse ocorrerá na quarta-feira.
"Decidi chamar a aliança [AMP] a formar governo por representar neste momento
a opinião política da maioria", disse Ramos Horta, ao anunciar ao país
que convidou Gusmão a formar o novo Executivo. "Não estamos em tempo nem em ocasião de repetir eleições que, aliás, a
Constituição proíbe. As maiorias e minorias estão no Parlamento e não
nas ruas porque o povo delegou nos deputados poderes para o
representar".
Kay Rala Xanana Gusmão, líder histórico da luta pela independência do
Timor Leste, nasceu em Manatuto em 1946, quando Timor era ainda uma
província colonial portuguesa. Dirigiu nas matas a luta contra a
ocupação indonésia tendo, com a restauração da independência, em 2002,
assumido o cargo de presidente da República, para o qual foi eleito em
2001.
No início deste ano, anunciou que não seria candidato a um segundo
mandato e, à frente do CNRT, concorreu às legislativas de junho,
ficando em segundo lugar, atrás da Fretilin. Sua indicação para chefiar o governo timorense resultou da coligação
pós-eleitoral que o CNRT fez com o Partido Democrático e a coligação
PSD/ASDT, que têm, em conjunto, a maioria dos assentos do Parlamento
nacional.
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