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8 de Agosto de 2007 - 13h05 - Última modificação em 8 de Agosto de 2007 - 13h12


Posse de primeiro-ministro do Timor tem boicote e apelo contra violência

Agência Lusa


 
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Díli (Timor Leste) - O ex-presidente e principal líder do Congresso Nacional de Reconstrução de Timor Leste (CNRT), Xanana Gusmão, tomou posse hoje (8) como primeiro-ministro do quarto governo constitucional do país. Seu nome foi anunciado no início da semana pelo presidente José Ramos Horta, provocando uma onda de manifestações.

A cerimônia não teve a presença da situacionista Frente Revolucionária do Timor Leste Independente (Fretilin), partido que venceu as eleições legislativas de 30 de junho sem maioria absoluta e não concorda com a nomeação. Após o pleito, a CNRT e outras três legendas formaram a Aliança para Maioria Parlamentar (AMP), cujos votos, somados, superam os da Fretilin.

Em um longo discurso de posse, Gusmão fez um apelo contra a violência. "O povo tem vindo a provar que a política de intimidações e violência não o desencoraja, no momento crucial de dar o sim ou o não, ao seu próprio futuro." Para ele, "os resultados da eleição do passado dia 30 de junho são absolutamente inequívocos, abrindo um novo ciclo na vida política do país".

Nenhum dirigente da Fretilin compareceu à posse do novo governo, uma ausência que vários membros da AMP consideram "lamentável" e "triste". Durante a cerimônia, houve manifestação contra a formação do novo Executivo em frente ao palácio do governo, no centro da cidade.

O novo premiê estabeleceu as prioridades de seu mandato no discurso e defendeu "uma transformação radical do Estado, que denuncie o partidarismo existente na administração pública". Outra proposta é a aplicação de "um novo sistema fiscal" similar ao já proposto pelo presidente Ramos Horta.

O presidente José Ramos Horta convidou oficialmente Xanana Gusmão na segunda-feira. , que atualmente preside o partido oposicionista Congresso Nacional da Reconstrução de Timor Leste (CNRT), para formar o novo governo. A posse ocorrerá na quarta-feira.

"Decidi chamar a aliança [AMP] a formar governo por representar neste momento a opinião política da maioria", disse Ramos Horta, ao anunciar ao país que convidou Gusmão a formar o novo Executivo. "Não estamos em tempo nem em ocasião de repetir eleições que, aliás, a Constituição proíbe. As maiorias e minorias estão no Parlamento e não nas ruas porque o povo delegou nos deputados poderes para o representar".

Kay Rala Xanana Gusmão, líder histórico da luta pela independência do Timor Leste, nasceu em Manatuto em 1946, quando Timor era ainda uma província colonial portuguesa. Dirigiu nas matas a luta contra a ocupação indonésia tendo, com a restauração da independência, em 2002, assumido o cargo de presidente da República, para o qual foi eleito em 2001.

No início deste ano, anunciou que não seria candidato a um segundo mandato e, à frente do CNRT, concorreu às legislativas de junho, ficando em segundo lugar, atrás da Fretilin. Sua indicação para chefiar o governo timorense resultou da coligação pós-eleitoral que o CNRT fez com o Partido Democrático e a coligação PSD/ASDT, que têm, em conjunto, a maioria dos assentos do Parlamento nacional.



 


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