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12 de Agosto de 2007 - 12h15 - Última modificação em 14 de Agosto de 2007 - 15h54


Conflito entre quilombolas e fazendeiros se intensifica no Sergipe

Bárbara Lobato
Da Agência Brasil

 
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Brasília - Moradores da comunidade Lagoa dos Campinhos, remanescente do quilombo Pontal dos Crioulos, no município sergipano de Amparo do São Francisco, enfrentam há cerca de dois anos um conflito com os fazendeiros que cercam a região. A situação se agravou nos últimos dois meses, segundo a representante da comunidade, Tereza Cristina Matins.

“O conflito recomeçou no dia 23 de junho, quando o empregado do fazendeiro José Edvam Amorim colocou o cavalo para pisar em dois jovens quilombolas”, contou.

Segundo ela, os ataques continuaram depois. Em 23 de julho, algumas pessoas da comunidade que semeavam o arroz perto da lagoa dos Campinhos foram surpreendidas novamente pelo empregado. “Ele portava uma arma e fez várias ameaças”, diz Tereza Cristina.

O outro ataque, acrescenta, ocorreu em 31 de julho, quando o empregado do fazendeiro colocou cachorros para atacar as ovelhas da comunidade. Uma delas morreu.

“O clima na comunidade é de muita tensão. O empregado do fazendeiro sempre diz que o maior prazer dele é 'ver um negro do quilombo amanhecer com a boca cheia de formiga'".

De acordo com Tereza Cristina, o último registro de ameaça foi em 2 de agosto, quando o caseiro do fazendeiro foi até a comunidade e, armado, fez diversas ameaças.

Para ela, a situação se agrava ainda mais por causa da questão territorial. “Se a comunidade passa fome e quer plantar não tem condições, pois os fazendeiros utilizam a terra que é da União para alimentar o gado”.

O território em questão foi reconhecido pela Fundação Cultural Palmares em 2004 como remanescente quilombola.

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) devia ter concluído o documento para demarcar o território em outubro de 2006. Mas, devido a algumas reivindicações da comunidade, o estudo precisou ser refeito.

“Houve alterações e foi constatado que o território precisava ser ampliado. Só agora [no mês de julho] é que o estudo foi concluído”, disse o superintendente do Incra em Sergipe, Carlos Fontinele.

Na avaliação dele, a comunidade Lagoa dos Campinhos sempre teve um histórico de conflito territorial. Por causa disso, diz, o Ministério Público do estado teve que interferir várias vezes para “amenizar o clima de tensão” na região.

“Com esses acontecimentos, o Incra vai providenciar uma visita à comunidade e aos fazendeiros para tentar amenizar os conflitos. Agora que o estudo está concluído, o prazo para audiência pública para demarcação do território é de até 90 dias”.



Matéria alterada para correção de informação (o nome do município).
 


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