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Brasília - Dois estudos sobre locais públicos de acesso à internet serão
concluídos até o final de 2007. Os mapeamentos de
projetos de inclusão digital estão sendo elaborados
pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência
e Tecnologia (Ibict), órgão ligado ao Ministério
da Ciência e Tecnologia, e pelo Instituto de Pesquisas e
Projetos Sociais Tecnológicos (Ipso), uma Organização Não-governamental (ONG).
Esse é o segundo
levantamento da proposta do Observatório Nacional de
Inclusão Digital (Onid), uma iniciativa que envolve órgãos
e entidades da administração pública e da
sociedade civil para conhecer e promover o intercâmbio e
orientar investimentos em ações de inclusão
digital no país. As metodologia das duas
pesquisas são diferentes, mas devem alcançar todos
os municípios do país. O mapa do Ibict inclui projetos
do governo, da iniciativa privada (como as lan houses, centros onde o usuário paga pelo acesso à internet) e de
instituições da sociedade civil. O levantamento do Ipso abrange somente espaços públicos
gratuitos, como os telecentros, ou que aplicam os recursos das taxas
cobradas dos usuários no próprio local, sem fins
lucrativos.
Por causa das diferenças de metodologia e da
sobreposição de projetos, os números
preliminares dos dois levantamentos são diferentes. O Ibict
estima que existem 16,7 mil locais de acesso à internet,
enquanto o Ipso projeta cerca de 6 mil.
A coordenadora de
Gestão da Informação do Ibict, Cecília
Leite, admitiu que há sobreposição de projetos
de inclusão digital. Ele citou como exemplo uma sala de informática de uma escola que
na contagem pode ser registrada como dois projetos em vez de um, por
contar com recursos do Programa Nacional de Informática na
Educação (Proinfo), do Ministério da Educação,
e do programa do Gesac, do Ministério das Comunicações,
que oferece a conexão à internet.
“Estamos validando
esses dados. Na medida que alguns saem por causa dessa sobreposição,
muitos outros entram porque há uma constante abertura de novos
centros de inclusão”.
Segundo ela,
o objetivo do trabalho é levantar dados para colaborar com
políticas de inclusão digital. “Esse é um
processo novo [de abertura de espaços públicos de
inclusão digital]. Ninguém pode dizer hoje quantos
estão abrindo e fechando. Essas informações
básicas a gente ainda não tem”. O diretor de tecnologia
e projetos do Ipso, Carlos Seabra, afirmou que os resultados do
mapeamento serão consolidados pelas comunidades, que poderão
verificar se de fato um telecentro registrado em uma comunidade está
em funcionamento, além de cobrar mais espaços de acesso público
à internet.
“Muitas vezes é mais importante a
inauguração de um telecentro que a manutenção.
A quantidade de telecentros é pouca para as necessidades que
existem, nem sempre são colocados nos melhores locais”.
Seabra acrescentou que
é preciso identificar as formas de uso da informática e
estimular o protagonismo da população. “Não é
só chegar lá e sair com a expectativa de que vai
conseguir emprego [porque fez um curso em um telecentro]. É
preciso trabalhar com protagonismo social. Uma dona de casa fazer seu orçamento doméstico em uma planilha
eletrônica, por exemplo, o desemprego mandar seu currículo por
e-mail, o jovem usar o computador para fazer música em MP3”.
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