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9 de Agosto de 2007 - 16h48 - Última modificação em 9 de Agosto de 2007 - 16h51


Religioso alerta que incentivo à plantação de cana para o etanol pode aumentar trabalho escravo

Yara Aquino
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - O coordenador da Campanha Nacional de Combate ao Trabalho Escravo da Comissão Pastoral da Terra (CPT), frei Xavier Plassat, alertou hoje (9) que a contratação e a remuneração por produção que acontece nas lavouras de cana são um incentivo ao trabalho além do limite. Segundo ele, a produtividade diária exigida de um cortador de cana duplicou dos anos 80 até hoje.

O alerta foi dado na da Subcomissão Temporária do Trabalho Escravo no Senado, que discutiu o risco do incentivo ao cultivo de cana-de-açúcar para a produção de etanol resultar em aumento do trabalho escravo no país.

De acordo com frei Plassat, o recente estímulo à produção de cana é preocupante, se não forem colocadas condicionalidades. “É preciso colocar condicionalidades para que essa expansão da produção se faça dentro de parâmetros social e ambientalmente viáveis”, defendeu.

Entre as condições defendidas pelo frei estão a rediscussão da forma de contratação do trabalho, o pagamento por produção e o fim da terceirização das atividades. Ressaltou também que é preciso atentar para a questão da terra. “Há que ver como essa pressão redobrada sobre as terras vai se combinar com os projetos de reforma agrária”, disse.

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, no entanto, disse que é preciso ter cautela para que o argumento do combate ao trabalho escravo não seja usado como forma de atrapalhar o projeto brasileiro da produção de biodiesel.

“Fazer essa associação do trabalho escravo para condenar o etanol é uma manipulação contra os interesses nacionais. Muitos querem usar indevidamente de maneira desleal”, afirmou.

A coordenadora do Projeto de Combate ao Trabalho Escravo da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Patrícia Audi, informou que são poucas as empresas na “lista suja” por utilizarem o trabalho escravo em culturas de cana-de-açúcar. Disse que em 2005 o maior resgate de trabalhadores escravos aconteceu em uma destilaria do Mato Grosso e que há cerca um mês 1.084 pessoas foram libertadas em uma fazenda de cana no sul do Pará.

Já o subprocurador-geral do Trabalho Luiz Antônio Camargo disse que é preciso estar atento para os rumos do etanol para evitar mortes de trabalhadores por esgotamento após cortar toneladas de cana, denunciadas recentemente.

 




 


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