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Brasília - O coordenador da
Campanha Nacional de Combate ao Trabalho Escravo da Comissão
Pastoral da Terra (CPT), frei Xavier Plassat, alertou hoje (9) que a
contratação e a remuneração por produção
que acontece nas lavouras de cana são um incentivo ao trabalho
além do limite. Segundo ele, a produtividade diária
exigida de um cortador de cana duplicou dos anos 80 até hoje.
O alerta foi dado na da Subcomissão
Temporária do Trabalho Escravo no Senado, que discutiu o risco
do incentivo ao cultivo de cana-de-açúcar para a
produção de etanol resultar em aumento do trabalho
escravo no país.
De acordo com frei Plassat, o recente estímulo
à produção de cana é preocupante, se não
forem colocadas condicionalidades. “É preciso colocar
condicionalidades para que essa expansão da produção
se faça dentro de parâmetros social e ambientalmente
viáveis”, defendeu.
Entre as condições defendidas pelo
frei estão a rediscussão da forma de contratação
do trabalho, o pagamento por produção e o fim da
terceirização das atividades. Ressaltou também
que é preciso atentar para a questão da terra. “Há
que ver como essa pressão redobrada sobre as terras vai se
combinar com os projetos de reforma agrária”, disse.
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, no entanto,
disse que é preciso ter cautela para que o argumento do
combate ao trabalho escravo não seja usado como forma de
atrapalhar o projeto brasileiro da produção de
biodiesel.
“Fazer essa associação do trabalho
escravo para condenar o etanol é uma manipulação
contra os interesses nacionais. Muitos querem usar indevidamente de
maneira desleal”, afirmou.
A coordenadora do Projeto de Combate ao Trabalho
Escravo da Organização Internacional do Trabalho (OIT),
Patrícia Audi, informou que são poucas as empresas na
“lista suja” por utilizarem o trabalho escravo em culturas de
cana-de-açúcar. Disse que em 2005 o maior resgate de
trabalhadores escravos aconteceu em uma destilaria do Mato Grosso e
que há cerca um mês 1.084 pessoas foram libertadas em
uma fazenda de cana no sul do Pará.
Já o subprocurador-geral do Trabalho Luiz
Antônio Camargo disse que é preciso estar atento para os
rumos do etanol para evitar mortes de trabalhadores por esgotamento
após cortar toneladas de cana, denunciadas recentemente.
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