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Brasília - O Brasil possui mais de 1.800 pontos vulneráveis à exploração sexual de crianças e adolescentes em rodovias federais. É o que indica o mapeamento realizado entre o final do ano passado e o início de 2007 e apresentado hoje (15) pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Este ano, foram identificados quase 600 locais vulneráveis a mais do que no ano passado. A coordenadora do Projeto de Combate ao Tráfico de Pessoas da OIT, Thaís Dumêt, afirma que esse aumento do número de pontos é esperado e não significa crescimento da exploração sexual.
“É muito provável que ano que vem nós tenhamos esse mapeamento com mais pontos. Isso não significa que a exploração sexual tenha aumentado de um ano pra outro, mas que ela talvez se torne mais visível”, explica.
O mapeamento deu origem ao Guia para Localização dos Pontos Vulneráveis à Exploração Sexual Infanto-Juvenil ao Longo das Rodovias Federais Brasileiras. De acordo com Dumêt, a publicação vai servir como uma ferramenta para formular políticas de combate prevenção da exploração sexual infanto-juvenil.
“Não é um mapeamento de uma pesquisa informativa, é uma pesquisa para ser base de políticas públicas e de ações concretas, tanto da sociedade civil, ONGs, como governos locais, estaduais e federais”, diz.
O guia vai ser distribuído a todas as delegacias da PRF em todo o Brasil. Cabe aos agentes em cada local notificar os estabelecimentos apontados no estudo. O coordenador de Controle Operacional do Departamento de Polícia rodoviária Federal, Inspetor Alvarez Simões, diz que o objetivo dessa notificação é informar aos proprietários e convidá-los para serem parceiros no combate e na prevenção ao crime de exploração sexual. “Nós queremos que todos esses estabelecimento, postos de gasolina, qualquer tipo de estabelecimento comercial onde foi constatado essa vulnerabilidade seja um parceiro nosso”.
A notificação também deve servir para lembrar aos donos desses estabelecimentos que eles são tão responsáveis pela exploração que acontece nesses lugares quanto os exploradores em si. “Além daquele que explora, aquele que permite que esse fato aconteça no seu estabelecimento também é punido criminalmente”, afirma Simões.
Apesar das ações da polícia, Thaís Dumêt diz que é importante que haja também um trabalho social, junto às famílias das crianças que são exploradas. “A família tem que ser também protegida, porque a gente está falando de uma família extremamente carente, desagregada, necessitada de sobrevivência”, afirma.
“A gente sabe que existe uma grande quantidade de motéis, por exemplo, de postos de gasolina, onde essas crianças acabam se aglomerando atrás às vezes de um prato de comida, de uma alimentação daquele dia, não necessariamente de dinheiro, de um pagamento em troca, então isso é comum dentro das regiões que são completamente desprovidas de serviço público, que as crianças e os adolescentes acabem buscando um meio de sobrevivência nesses locais”, conclui Dumêt.
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