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16 de Agosto de 2007 - 06h28 -
Última modificação
em 16 de Agosto de 2007 - 06h28
Rede pública de saúde deve disponibilizar prótese e órtese a pessoas com deficiência
Carolina Pimentel
Repórter da Agência Brasil
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Marcello Casal Jr/ABr
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Rio de Janeiro - O velocista Ariosvaldo Fernandes da Silva, medalha de ouro dos 100 metros rasos para cadeirantes, no Parapan-Americano
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Rio de Janeiro - A legislação prevê que a rede pública de
saúde disponibilize prótese e órtese (cadeira de rodas, muletas, andador) sob medida para
pessoas com deficiência. Mas na prática, não é tão fácil conseguir o equipamento de graça. Muita gente precisa contar com doação de terceiros ou comprar.
O preço de uma cadeira importada e moderna varia de R$ 2 mil
a R$ 7 mil. Já uma prótese abaixo do joelho pode chegar a R$ 10 mil. O
velocista cadeirante Ariosvaldo Fernandes da Silva, 30 anos, sabe bem o que é
não ter uma cadeira de rodas sob medida. Na infância, Ariosvaldo usava cadeiras
doadas, frágeis e que o machucavam.
“Até os 12 anos sempre usei cadeira ruim e, por isso,
adquiri uma escoliose por sentar em uma cadeira muito larga, que não era
adequada. Tenho esse problema até hoje, porque, desde o começo, não sentei em
uma cadeira adequada”, diz o atleta, que ganhou nessa terça-feira (14) medalha de ouro nos 100 metros rasos no Parapan-Americano do Rio.
Ariosvaldo, que tem seqüela de poliomielite, passou a usar
cadeira de rodas adaptada apenas com 14 anos, quando descobriu o paradesporto.
Hoje, ele trabalha como mecânico do Instituto Cultural e Profissionalizante de
Pessoas Portadoras de Deficiência do Distrito Federal (IPC), órgão que o apóia, e conseguiu projetar e construir sua própria cadeira de rodas.
O presidente da Confederação Brasileira de Basquete em
Cadeira de Rodas, Leonardo Mattos, defende que parte do orçamento do Sistema
Único de Saúde (SUS), cerca de 2%, seja reservado para fornecimento de prótese
e órtese. “Melhorou o acesso à cadeira de rodas, mas carecemos de universalizar esse atendimento”.
Segundo a chefe da Coordenadoria Nacional para
Integração da Pessoa Portadora de Deficiência (Corde), Izabel Maior, um dos
motivos para as pessoas não conseguirem com facilidade os aparelhos na rede
pública de saúde é a demora para a entrega. Ela explica que faltam oficinas
para a fabricação e pessoal especializado.
A coordenadora disse que o governo federal lançará pacote de
medidas para a área social que prevê, entre outras ações, a criação de mais
fábricas de próteses e órteses nas regiões Norte e Nordeste e capacitação de
profissionais. Hoje, conforme a médica, existe apenas um curso de nível
superior especializado na área em Niterói, região metropolitana do Rio de Janeiro. “Os secretários
de Saúde precisam também verificar o recurso repassado e se a comunidade está sendo atendida”, afirmou.
Já a médica Leila Castro, superintendente de Reabilitação da
Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR), entidade filantrópica
do Rio, afirma que o sistema público oferece uma tabela de equipamentos, mas que não possui todos os componentes disponíveis no mercado. “Ele [paciente] vai ter uma prótese, seja do SUS ou
particular. O médico tem a função de orientar o paciente sobre o que existe de
melhor. Dentro da realidade, você tem que saber o que pode prescrever.
É uma tabela de
certa forma limitada, não tem todos os componentes que hoje existem no mundo da
prótese, na ortopedia técnica. Cada componente protético tem valores
diferenciados. Uma prótese pode sair com custo bem elevado quando você
prescreve por via particular”, explicou.
A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil não têm linhas de financiamento específicas para a compra de prótese e órtese
para pessoas com deficiência. Segundo as assessorias das instituições, os
clientes podem conseguir o dinheiro por meio das linhas gerais de crédito
pessoal.
Conforme dados da Corde, 14,5% da população brasileira têm algum tipo de deficiência, o equivalente a 24,6 milhões de pessoas.
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