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Antonio Cruz/ABr
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Brasília - O vice-presidente da CPI do Apagão Aéreo, senador Renato Casagrande (PSB-ES), conversa com a diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Denise Abreu, em depoimento à comissão no Senado
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Brasília - Em depoimento hoje (16) na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Apagão Aéreo do Senado, a diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Denise Abreu, negou conhecer o empresário Carlos Ernesto Campos. "Não tenho nenhum relacionamento com ele, conheço apenas de nome, não é meu amigo e não esteve na Anac, pelo menos comigo", disse Denise Abreu.
Também presta depoimento na CPI o ex-presidente da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) José Carlos Pereira. Denise Abreu foi convocada pela CPI para prestar esclarecimentos sobre denúncia de Pereira de que ela teria feito lobby junto à Anac para liberar a transferência do setor de cargas dos Aeroportos de Congonhas (SP) e Viracopos, que fica em Campinas (SP), para o Aeroporto de Ribeirão Preto, também em São Paulo.
De acordo com a denúncia de Pereira, feita em entrevista ao jornal O Globo, a transferência beneficiaria o empresário Carlos Ernesto Campos, dono da empresa Terminais Aduaneiros do Brasil (Tead), que seria amigo da diretora da Anac.
No depoimento, Denise Abreu disse que não fez pressão para que o terminal de carga dos Aeroportos de Guarulhos e Viracopos, em São Paulo, fosse transferido para o Aeroporto de Ribeirão Preto (SP). Segundo ela, "atualmente não há como levar sequer um vôo de carga para o Aeroporto de Ribeirão Preto, porque lá não tem terminal de carga instalado".
O ex-presidente da Infraero confirmou a denúncia, mas negou ter dito que Denise Abreu era amiga de Ernesto. Segundo ele, durante visita de parlamentares da CPI do Apagão Aéreo da Câmara à Anac, Denise Abreu defendeu a transferência do setor de cargas dos aeroportos de Congonhas e Viracopos para o Aeroporto de Ribeirão Preto, também em São Paulo.
"Eu inclusive estava lá, fui convidado pela Anac. A doutora Denise fez uma defesa, fez uma demonstração de como a retirada de vôos de Guarulhos e Viracopos para outro aeroporto, no caso Ribeirão Preto, de carga para Ribeirão Preto, poderia aliviar a área do miolo da terminal São Paulo, e com isso ajudar na solução do problema de Congonhas", afirmou Pereira, ao ressaltar que discorda da alternativa apresentada pela diretora da Anac, que, segundo ele, também conta com o apoio do presidente da agência, Milton Zuanazzi.
"Eu, como presidente da Infraero, não poderia admitir jamais qualquer perda de um centavo que fosse da empresa", afirmou Pereira. De acordo com ele, no primeiro semestre, o setor de carga nos aeroportos de Viracopos e Guarulhos Aérea movimentou cerca de R$ 250 milhões.
O ex-presidente da Infraero disse que o Aeroporto de Ribeirão Preto não tem condições de receber hoje carga nenhuma. "O Aeroporto de Ribeirão Preto não tem condição de nada hoje, ele passou por uma reforma, teve pista corrigida, pátio corrigido, mas existem problemas ambientais gravíssimos naquele aeroporto".
Pereira lembrou que, após a internacionalização do aeroporto, no final de 2002, o empresário Carlos Ernesto Campos venceu uma licitação para construir terminais alfandegados no Aeroporto de Ribeirão Preto, o que possibilitaria a importação e exportação de cargas. "Sabíamos do interesse enorme em se colocar carga internacional do Aeroporto de Ribeirão Preto, do empresário que ganhou a concorrência".
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