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19 de Agosto de 2007 - 09h41 - Última modificação em 19 de Agosto de 2007 - 10h00


Doença erradicada do país ainda exibe marcas na equipe brasileira nos Jogos Parapan-Americanos

Sabrina Craide
Repórter da Agência Brasil

 
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Marcello Casal Jr./ABr
Rio de Janeiro - O nadador brasileiro André Brasil (centro) fechou sua participação no Parapan-americano neste sábado (18) com vitória nos 50 metros livres, sexta medalha de ouro na competição e terceiro recorde mundial. Brasil é um dos atletas brasileiros no Parapan que tem seqüelas deixadas pela paralisia infantil, doença erradicada do país nos anos 80 Rio de Janeiro - O nadador brasileiro André Brasil (centro) fechou sua participação no Parapan-americano neste sábado (18) com vitória nos 50 metros livres, sexta medalha de ouro na competição e terceiro recorde mundial. Brasil é um dos atletas brasileiros no Parapan que tem seqüelas deixadas pela paralisia infantil, doença erradicada do país nos anos 80
Rio de Janeiro - Graças à vacinação em massa das suas crianças nos últimos anos, desde 1989, o Brasil não registra casos de poliomielite, a paralisia infantil. Mas as seqüelas causadas pela doença ainda são uma realidade para os participantes dos Jogos Parapan-Americanos do Rio de Janeiro. Segundo o Comitê Paraolímpico Brasileiro, cerca de um terço dos 239 atletas brasileiros que estão competindo têm alguma seqüela de pólio.

Para o presidente da Associação Brasileira de Síndrome Pós-Pólio (Abraspp), Luiz Baggio Neto, o fato de haver tantos atletas com seqüelas de poliomielite na delegação brasileira mostra a força que a doença teve no país antes das campanhas de vacinação. “A pólio foi muito maior no Brasil do que dizem as estatísticas, que são muito pequenas. Muita gente não sabe nem que teve a doença, só descobriu depois de muito tempo”, avalia.

Ao mesmo tempo em que comemora a erradicação da poliomielite no Brasil, Baggio alerta para o risco de a doença voltar ao país. Ele lembra que em países da África e da Ásia, como a Índia, a pólio ainda é endêmica. “As pessoas estão esquecendo de levar seus filhos para vacinar contra a pólio, acreditando que a doença está lá no passado, que ela não existe mais. Mas ela existe ainda e precisa ser combatida no mundo inteiro. É preciso vacinar, senão a pólio volta”, afirma o presidente. Ele pede mais divulgação das campanhas de vacinação no país.

Baggio chama a atenção também para o risco de os atletas brasileiros desenvolverem a síndrome pós-pólio, uma conseqüência da poliomielite que acontece principalmente pelo uso excessivo da musculatura e da parte neurológica não atingidas pela doença. “Depois de 30, 40 anos de uso intenso, as pessoas têm fadiga muscular, fraqueza, dores, distúrbios de sonos profundos, depressão e intolerância ao frio”, explica. Segundo ele, 67% das pessoas atingidas por alguma paralisia devido à poliomielite desenvolvem síndrome pós-pólio.

O diretor médico do Comitê Paraolímpico Brasileiro, Roberto Vital, explica que os casos existentes na delegação brasileira são anteriores às campanhas de vacinação em massa contra a doença. Segundo ele, antes da divulgação, a pólio era muito comum do Brasil. Vital lembra também que existem alguns casos raros nos quais a vacina não agiu como deveria, como falhas em lotes de vacina, ou problemas de armazenagem.

Um dos exemplos de atletas com seqüelas de poliomielite na seleção brasileira é o nadador André Brasil, que já conquistou seis medalhas de ouro e o bateu três recordes mundiais nos Jogos Parapan-Americanos. Ele conta que tomou a gotinha contra a paralisia infantil, mas, por razões não explicadas pelos médicos, desenvolveu a doença ainda quando era bebê.

O recordista acredita que as campanhas de vacinação têm que continuar para que o Brasil não volte a ter casos da doença. “Quando se fala que no Brasil a pólio foi erradicada há 20, 30 anos, na verdade, não é. Hoje, com 23 anos, estou aqui para dizer que isso não é verdade”, lembra André Brasil.

Já o nadador Genezi Alves, que ganhou quatro medalhas no Parapan, não tomou a vacina quando era criança. Segundo ele, como morava no interior da Paraíba, havia dificuldade de acesso. Ele adquiriu poliomielite aos três anos de idade e hoje tem atrofia nos membros inferiores e superiores.

O atleta reconhece o avanço das campanhas de vacinação e incentiva os pais a levarem as crianças para receber a imunização. “Não deixem de levar seus filhos para vacinar, que vai protegê-los de muitos problemas. O problema maior não é a deficiência, mas os danos psicológicos causados pela doença”, aconselha.

A poliomielite é provocada por um vírus, chamado poliovírus. A doença não tem cura e provoca a paralisia, em geral, dos membros inferiores. Segundo o Ministério da Saúde, a estratégia de aplicar a vacina oral contra a poliomielite em massa foi adotada em 1980, quando se realizou pela primeira vez o Dia Nacional de Vacinação contra a Poliomielite. O último caso de pólio foi registrado em 1989, em Sousa, na Paraíba.

A segunda etapa da Campanha Nacional de Vacinação contra a Paralisia Infantil acontece no dia 25 de agosto. Na primeira etapa foram vacinadas 9,6 milhões de crianças, de um público estimado em 16,3 milhões de crianças menores de cinco anos.

 


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