Marcello Casal Jr./ABr
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Rio de Janeiro - O nadador brasileiro André Brasil (centro) fechou sua participação no Parapan-americano neste sábado (18) com vitória nos 50 metros livres, sexta medalha de ouro na competição e terceiro recorde mundial. Brasil é um dos atletas brasileiros no Parapan que tem seqüelas deixadas pela paralisia infantil, doença erradicada do país nos anos 80
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Rio de Janeiro - Graças à vacinação em massa das suas crianças nos últimos anos, desde 1989, o Brasil não registra casos de poliomielite, a paralisia infantil. Mas as seqüelas causadas pela doença ainda são uma realidade para
os participantes dos Jogos Parapan-Americanos do Rio de Janeiro. Segundo o
Comitê Paraolímpico Brasileiro, cerca de um terço dos 239 atletas brasileiros
que estão competindo têm alguma seqüela de pólio.Para o presidente da Associação Brasileira de Síndrome Pós-Pólio
(Abraspp), Luiz Baggio Neto, o fato de haver tantos atletas com seqüelas
de poliomielite na delegação brasileira mostra a força que a doença teve no
país antes das campanhas de vacinação. “A pólio foi muito maior no Brasil do que
dizem as estatísticas, que são muito pequenas. Muita gente não sabe nem que
teve a doença, só descobriu depois de muito tempo”, avalia.
Ao mesmo tempo em que comemora a
erradicação da poliomielite no Brasil, Baggio alerta para o risco de a doença
voltar ao país. Ele lembra que em países da África e da Ásia, como a Índia, a pólio
ainda é endêmica. “As pessoas estão esquecendo de levar seus filhos para
vacinar contra a pólio, acreditando que a doença está lá no passado, que ela não
existe mais. Mas ela existe ainda e precisa ser combatida no mundo inteiro. É
preciso vacinar, senão a pólio volta”, afirma o presidente. Ele pede mais
divulgação das campanhas de vacinação no país.
Baggio chama a atenção também
para o risco de os atletas brasileiros desenvolverem a síndrome pós-pólio, uma
conseqüência da poliomielite que acontece principalmente pelo uso excessivo da
musculatura e da parte neurológica não atingidas pela doença. “Depois
de 30, 40 anos de uso intenso, as pessoas têm fadiga muscular, fraqueza, dores,
distúrbios de sonos profundos, depressão e intolerância ao frio”, explica.
Segundo ele, 67% das pessoas atingidas por alguma paralisia devido à
poliomielite desenvolvem síndrome pós-pólio.
O diretor médico do Comitê
Paraolímpico Brasileiro, Roberto Vital, explica que os casos existentes na
delegação brasileira são anteriores às campanhas de vacinação em massa contra a
doença. Segundo ele, antes da divulgação, a pólio era muito comum do Brasil.
Vital lembra também que existem alguns casos raros nos quais a vacina não agiu
como deveria, como falhas em lotes de vacina, ou problemas de armazenagem.
Um dos exemplos de atletas com seqüelas de poliomielite na
seleção brasileira é o nadador André Brasil, que já conquistou seis medalhas de
ouro e o bateu três recordes mundiais nos Jogos Parapan-Americanos. Ele conta
que tomou a gotinha contra a paralisia infantil, mas, por razões não explicadas
pelos médicos, desenvolveu a doença ainda quando era bebê.
O recordista acredita que as campanhas de vacinação têm
que continuar para que o Brasil não volte a ter casos da doença. “Quando se fala
que no Brasil a pólio foi erradicada há 20, 30 anos, na verdade, não é. Hoje,
com 23 anos, estou aqui para dizer que isso não é verdade”, lembra André
Brasil.
Já o nadador Genezi Alves, que ganhou quatro medalhas no
Parapan, não tomou a vacina quando era criança. Segundo ele, como morava no
interior da Paraíba, havia dificuldade de acesso. Ele adquiriu poliomielite aos três
anos de idade e hoje tem atrofia nos membros inferiores e superiores.
O atleta reconhece o avanço das
campanhas de vacinação e incentiva os pais a levarem as crianças para receber a
imunização. “Não deixem de levar seus filhos para vacinar, que vai protegê-los
de muitos problemas. O problema maior não é a deficiência, mas os danos
psicológicos causados pela doença”, aconselha.
A poliomielite é provocada por um vírus, chamado poliovírus. A doença
não tem cura e provoca a paralisia, em geral, dos membros inferiores. Segundo o
Ministério da Saúde, a estratégia de aplicar a vacina oral contra a poliomielite em massa foi adotada em 1980, quando se realizou pela primeira
vez o Dia Nacional de Vacinação contra a Poliomielite. O último caso de pólio
foi registrado em 1989, em Sousa, na Paraíba.
A segunda etapa da Campanha Nacional de Vacinação contra a
Paralisia Infantil acontece no dia 25 de agosto. Na primeira etapa foram
vacinadas 9,6 milhões de crianças, de um público estimado em 16,3 milhões de
crianças menores de cinco anos.