Marcello Casal Jr./ABr
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Rio de Janeiro - O jogador de futebol de 5 do Brasil Severino Silva (camisa 8) foi o autor do gol que deu ao time hoje (19) a medalha de ouro na partida decisiva contra a Argentina nos Jogos Parapan-Americanos Rio 2007
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Rio de Janeiro - O futebol é uma das modalidades
esportivas mais praticada por deficientes visuais no país. Segundo a
Confederação Brasileira de Desportos para Cegos (CBDC), mais da metade dos 2,7
mil atletas cadastrados tem o futebol como pelo menos um dos esportes que pratica.
A seleção brasileira de futebol de 5, para deficientes visuais, ganhou medalha
de ouro nos Jogos Parapan-Americanos ao vencer a Argentina hoje (19).
O presidente da entidade, David Farias Costa, diz que,
atualmente, há cerca de 50 equipes de futebol para cegos no país. Ele comemora
o crescimento desta e de outras atividades esportivas que são praticadas por
cegos, mas teme que o aumento da procura pelo esporte a falta de
infra-estrutura comprometam o crescimento da prática no país. “Estamos
qualificando profissionais, temos um aumento na demanda e ao mesmo tempo temos
dúvidas se a infra-estrutura está adequada”, avalia.
Além do futebol, a CBDC promove
atualmente outras seis modalidades para cegos: atletismo, natação, judô,
goalball, xadrez e powerlifting (levantamento de peso). O orçamento anual da
entidade é de R$ 2,5 milhões, repassados pelo Comitê Paraolímpico
Brasileiro. A verba provém do mecanismo criado pela Lei Agnelo Piva, que obriga a destinação
de 2% de toda a arrecadação da Loteria Federal com venda de apostas para
instituições ligadas ao esporte olímpico e paraolímpico.
Segundo Costa, os recursos são
destinados à realização de cerca de 40 eventos por ano, que envolvem as
competições regionais, nacionais, treinamentos, além da participação do Brasil
em eventos internacionais.
O assistente técnico da seleção brasileira, Roderley
Ferreira, diz que a vitória do Brasil pode ajudar a divulgar a prática do
esporte no país. “A gente foi para um campeonato mundial no ano passado em
Buenos Aires e estava toda a mídia em cima. A gente não tinha isso no Brasil, e
agora a gente tem. É um passo enorme para o esporte paraolímpico”, afirma.
Ferreira é também o chamador do time, ou seja, aquela pessoa que fica atrás da
trave do gol do time adversário orientando os jogadores para onde devem chutar.
O jogador João Silva também acredita no crescimento do
esporte no país. Ele criticou o fato de o Parapan do Rio de Janeiro contar com
o patrocínio apenas da Caixa Econômica Federal e disse que, depois dos
resultados obtidos, outras empresas devem se interessar também. “Queremos mais oportunidades para os deficientes, pois temos
capacidade para crescer”, emenda Severino Gabriel da Silva, que fez o gol da vitória do
Brasil sobre a Argentina.
O Censo Demográfico
de 2000 localizou 16,5 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência visual. Nos
Jogos Parapan-Americanos do Rio de Janeiro, 25% dos atletas que compõem a
delegação brasileira são cegos.