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Brasília - A 3ª Marcha das Margaridas, que
começou hoje (21) em Brasília, proporcionou a milhares
de mulheres de todo o país alguns debates relacionados à
realidade das moradoras do campo. Um desses debates foi sobre a
violência doméstica.
A palestra contou com a
presença de Maria da Penha Maia, vítima que se
transformou em símbolo do combate à violência
contra a mulher e deu nome à Lei 11.340, que torna mais
rigorosa a pena para este tipo de agressão.
A coordenadora da Comissão
Nacional de Jovens da Confederação Nacional dos
Trabalhadores na Agricultura (Contag), Maria Elenice Anastácio,
falou da importância da informação para modificar
a situação de violência vivida por várias
mulheres do campo. Ela lembrou que historicamente a sociedade diz que
“em briga de marido e mulher não se mete a colher” e
questionou essa cultura.
“Em briga de marido e mulher se
mete a colher e também se leva a informação para
as mulheres e para os homens, porque nós queremos a
transformação desse país e a transformação
do país não é possível sem que as
mulheres estejam incluídas e sejam respeitadas e valorizadas
enquanto pessoas, enquanto sujeitos políticos também”,
afirmou. Para ela, não basta ter a Lei Maria da Penha: é
preciso investir em mais delegacias de mulheres, principalmente nas
áreas rurais do país.
A subsecretária de
Programas e Ações Temáticas da Secretaria
Especial de Políticas para as Mulheres, Aparecida Gonçalves,
disse que a secretaria está trabalhando junto aos estados para
a implementação de mais delegacias de mulheres no
país.
Segundo ela, há hoje no
Brasil 395 delegacias de mulheres, 95 Centros de Referência de
Atendimento à Mulher em Situação de Violência,
15 defensorias especializadas e 145 juizados, entre aqueles
especializados em violência contra a mulher e os criminais que
também cuidam do problema. O maior número de serviços,
cerca de 47%, está situado na Região Sudeste.
“O interior do país tem
poucos serviços, a maioria se concentra nas capitais e
portanto nós estamos tendo um investimento político,
financeiro no sentido de interiorizar”, comentou Aparecida
Gonçalves. “Estamos tentando pactuar para que os Centros de
Referência de Assistência Social [CRAs], que hoje
são 2.135 no país, também possam atender as
mulheres em situação de violência.”
A integrante da Marcha Mundial de
Mulheres Analu Faria lembrou que no campo as mulheres estão
mais isoladas e têm mais dificuldades para punir seus
agressores, e avaliou que por isso é importante a criação
de mais delegacias de mulheres nesses locais. O fato de a unidade
familiar também ser a unidade de trabalho é apontado
pela psicóloga como outro fator que dificulta o combate à
violência doméstica no campo.
“No Brasil são muito poucas
as delegacias das mulheres, que são as que mais as incentivam
a denunciar, que dão mais confiança a elas. Estão
concentradas nas capitais e nas regiões metropolitanas”,
afirmou.
As trabalhadoras rurais recebem
amanhã (22) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, às
12h30, no Pavilhão de Exposições do Parque da
Cidade, em Brasília. Desde ontem (20), trabalhadoras rurais de
todo o país estão mobilizadas na luta por melhorias nas
condições de vida do campo, contra a fome e a violência
sexista. Amanhã, a partir das 8 horas, está prevista
marcha com cerca 30 mil mulheres pela Esplanada dos Ministérios.
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