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21 de Agosto de 2007 - 21h24 - Última modificação em 22 de Agosto de 2007 - 12h22


Mulheres querem controle sobre programação das TVs para combater preconceito

Isabela Vieira
Repórter da Agência Brasil

 
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Wilson Dias/ABr
Brasília - A pesquisadora Raquel Moreno defendeu na 2ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres a realização de uma Conferência Nacional de Comunicação. Para ela, os meios de comunicação desrespeitam as mulheres
Brasília - A pesquisadora Raquel Moreno defendeu na 2ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres a realização de uma Conferência Nacional de Comunicação. Para ela, os meios de comunicação desrespeitam as mulheres
Brasília - Punir os canais de TV que difundam o preconceito contra mulheres. E garantir que metade do conselho gestor da nova TV pública seja composta por mulheres. Essas foram algumas das medidas aprovadas ontem (20) pela maioria das cerca de 2,5 mil presentes à 2ª Conferência Nacional de Politicas para Mulheres, em Brasília. O objetivo é derrubar o estereótipo da mulher "jovem, magra, branca, de cabelo liso e burra" vendido pela mídia, segundo a psicóloga Raquel Moreno, do Observatório da Mulher.

A nova TV pública, que será implantada pelo governo federal até o final do ano, terá um conselho gestor. Os 20 integrantes serão indicados pelo presidente da República. Uma recomendação da conferência pede que 50% das vagas sejam ocupadas por mulheres, com paridade entre negras, índias, brancas e outros segmentos.

Além da participação na nova TV Pública, as mulheres reivindicam maior controle social sobre a programação das TVs privadas. A conferência propôs a criação de observatórios sociais dos canais, para coibir a difusão de imagens preconceituosas e estereotipadas. As delegadas da conferência também querem incluir no critério de concessão pública dos canais o tratamento não-discriminatório às mulheres. A conferência sugere que os canais que difundirem o preconceito de gênero ou a intolerância religiosa sejam punidos, até mesmo com interdição de programas.

Um levantamento do Observatório da Mulher mostra que somente em 15% do noticiário a mulher é o centro da notícia ou fonte. Para Raquel Moreno, o modelo feminino difundido é o da "mulher musa. “Que é a que vende e representa os valores tradicionais”, afirmou a psicóloga.

A interdição dos conteúdos, como propõe o documento, não pode ser vista como uma forma de censura, mas, de respeito as mulheres, defende a psicóloga. Na visão da feminista, é um absurdo a mulher ser “retalhada”, para vender produtos ou ainda ser oferecida como brinde. “Os homens de criação precisam se conscientizar que não podem limitar a criatividade à agressão de seres humanos para vender produtos”, completou.

A conferência também aprovou apoio à realização de uma Conferência Nacional de Comunicação, para que o governo discuta com a sociedade civil sua política nacional para a área.


 

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