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Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu hoje (22) a acusação de que a
3ª Marcha das Margaridas teria sido bancada com recursos do governo federal. Lula disse que se o movimento tivesse sido organizado por mulheres de
classe social mais alta, esse tipo de crítica não ocorreria.
“Se fossem
mulheres e homens de outros segmentos da sociedade, de maior posse, isso
[marcha] seria visto como uma coisa normal. Afinal de contas, as pessoas
podem pagar passagem para vir de avião e podem vir de carro”, afirmou o presidente, no
encerramento da marcha, no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade.
Segundo a Polícia Militar, a marcha, realizada na Esplanada dos Ministérios,
reuniu mais de 30 mil pessoas.
“Mas, quando milhares de mulheres de todos os estados deste país, a grande maioria
absoluta trabalhadora rural - que sabe o que é cabo de uma enxada, que sabe
o que é dividir o tempo para o trabalho e o tempo para cuidar da família -
se dispõem a andar dias e dias de ônibus, passando privações, dormindo no
chão, ainda vem alguém dizer: ‘essas mulheres foram pagas pelo governo’”,
completou.
Lula afirmou ainda que, “se tivesse dinheiro, não precisava ser dinheiro do
governo, eu daria o dinheiro do meu bolso para trazer mais mulheres do que
tem aqui”.
A coordenadora da Comissão Nacional de Mulheres da Confederação Nacional dos
Trabalhadores na Agricultura (Contag), Carmem Foro, garantiu que o dinheiro
para a marcha veio do esforço das trabalhadoras, que venderam bolos,
camisetas, animais, chapéus para arrecadar os recursos. “Nós apoiamos o
presidente Lula e não cansamos de lutar. Vamos continuar lutando, mas sabemos fazer diferença, sabemos fazer a luta com autonomia política”,
afirmou Carmen.
A assessoria da Contag informou que a marcha contou com patrocínio da
Petrobras, Caixa Econômica Federal e Banco do Nordeste e empresas públicas,
porém o movimento sindical e as trabalhadoras arcaram com os principais
gastos, como transporte das manifestantes. A assessoria não informou os
valores.
Ainda conforme a assessoria, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e as
Secretarias Especial de Políticas para as Mulheres e de Políticas de
Promoção da Igualdade Racial apoiaram o evento, organizado pela Contag,
Central Única dos Trabalhadores (CUT) e federações de trabalhadores rurais,
mas sem recursos financeiros.
Na cerimônia de encerramento, o presidente Lula voltou a criticar as elites
e reafirmou que prefere governar para os pobres. “Antes, era fácil ganhar
eleições com o voto dos pobres e depois governar só para os ricos. Eu digo
todo santo dia: sou presidente de 190 milhões de habitantes, mas não tenho
dúvida de que a minha preferência é fazer política para a parte mais pobre
da sociedade brasileira, que é quem precisa do Estado brasileiro”,
enfatizou.
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