Adailton da Silva, 25 anos, e Raimunda da Silva, 22 anos, são de Alagoinhas (BA) e já vivem em Brasília há dez anos. O casal mora embaixo de um viaduto na L2 Norte, uma das principais vias da capital. Dormem dentro de uma caixa feita com lona e madeira, estão desempregados e vigiam carros durante o dia para sobreviver.
“É
muito difícil [morar na rua], às vezes a gente ganha
alguma coisa, às vezes não: tem que ir no lixo para
ver se acha alguma coisa”, conta Adailton.
Para
ajudar esses e outros moradores de rua de todo o país, o
Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome
(MDS) começa a fazer, a partir de outubro, uma contagem
de população de rua. Serão cerca de 2.500
pesquisadores em 23 estados e mais o Distrito Federal. Apenas Belo
Horizonte, Recife e São Paulo não vão participar
da pesquisa, pois os governos estuais já haviam feito o
levantamento desses dados.
De
acordo com a coordenadora de Regulamentação da Proteção Social Especial do MDS, Solange Martins, com esse levantamento o
governo pretende elaborar projetos e programas sociais voltados para
essa população. A intenção, segundo a
coordenadora, é saber como eles vivem, onde moram, como são
os vínculos de relação familiar.
“Ainda
não existem políticas públicas específicas
para moradores de rua. O Bolsa Família, que é um
programa de inclusão social, por exemplo, grande parte dessa
população não recebe, porque não sabe ou
não conhece”, afirma Solange.
Ela
explica que já existe um Grupo Interministerial, composto
pelo Governo Federal, pelo Movimento Nacional de População
em Situação de Rua (MNPR), por várias ONGs e
alguns gestores municipais, para estudar medidas voltadas para a
polução de rua.
Para
fazer o levantamento, o MDS vai utilizar dois tipos de questionários.
Um mais simples, com 16 questões, e outro
mais complexo, com 47 questões, que será feito com apenas
10% dos entrevistados. A empresa responsável pelas pesquisas
sera a Meta Instituto de Pesquisas de Opinião Ltda., que, de
acordo com Solange Martins, foi contratada por meio de licitação.
Para fazer o levantamento, o ministério vai investir R$1,5
milhões de reais.
A
pesquisa será concluída no final de outubro e os
resultados serão divulgados durante um seminário, ainda sem data e local definidos.