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Brasília - Representantes
da Frente Parlamentar da Saúde querem votar a regulamentação
da emenda constitucional 29 antes de discutir a prorrogação
da CPMF, o imposto do cheque, que está em discussão no
Congresso.
A
emenda define os percentuais da arrecadação de impostos
que devem ser destinados à saúde. No
caso de estados e municípios, são 12% e 15%,
respectivamente. A União fica com a responsabilidade de
aplicar o montante do ano anterior, corrigido pela variação
nominal do Produto Interno Bruto (PIB).
Para
o deputado federal Darcísio Perondi (PMDB-RS), presidente da
Frente, esses percentuais não estão sendo utilizados
para a saúde, conforme manda a lei. "Com a regulamentação
da emenda 29, estamos escrevendo que o dinheiro SUS [Sistema Único
de Saúde] é para a saúde das pessoas e não
para a saúde das vacas com febre aftosa", defendeu o
paralamentar em entrevista à Rádio Nacional.
Ele,
que considera o SUS uma das melhores reformas administrativas dos
últimos 20 anos, diz não aceitar a falta de recursos
para a saúde e o não cumprimento da Constituição.
Admite que o investimento em atenção básica de
saúde melhorou muito nos últimos dez anos, mas reclama
que a política assistencial foi esquecida e menciona a
situação do Nordeste, onde greves têm afetado a
vida do cidadão.
De
acordo com Perondi, uma das alternativas é o fim do
contingenciamento de recursos por parte da equipe econômica do
governo, que segundo ele, chega a R$ 2,5 bilhões neste ano.
"Com esse dinheiro, o ministro [José Gomes]
Temporão estanca a crise. Ele não resolve, mas
estanca".
Outra
saída, diz ele, é aplicar a verba arrecadada com a CPMF
em saúde. "Esse
dinheiro, quando [o imposto] foi criado, era só para a
área. Mas no ano 2000, o governo encaminhou uma nova proposta
de diminuir [o repasse] para a sáude”.
Para
esta semana, a Frente Parlamentar da Saúde prepara uma
ofensiva para tentar convencer o governo da necessidade de
regulamentar a EC 29. Amanhã (27), segundo Perondi, haverá
um encontro no Palácio do Planalto entre representantes do
grupo e o ministro da Secretaria de Relações
Institucionais, Walfrido dos Mares Guia. Na
quarta-feira, o deputado espera se encontrar com o ministro do
Planejamento, Paulo Bernardo.
"Nós
estamos apertando a negociação dentro do governo. A
hora é agora. O parlamento precisa de uma agenda positiva, que
defenda a mulher que tem câncer de mama, que os postos de saúde
tenham preservativos, remédios. A melhor bandeira é a
bandeira da saúde, é a bandeira da vida".
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